Por estes dias as redes sociais serão o espelho de uma comunidade? O medo do COVID19, que é uma ameaça real, baralhou até a mente de alguns dos nossos vizinhos que hoje reclamam "fechem a fronteira, já", ou pedem aos familiares e amigos que, "se vens de vez em quando, não venhas agora à santa terrinha contaminar-nos!" Não era bem assim o pedido, mas o propósito era o mesmo ou mais doloroso!
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Neste momento, os barranquenhos com segunda habitação em Barrancos estão "
impedidos de entrar na vila", como se estivessem "contaminados" e a sua presença fosse "
destruir a harmonia da terrinha", que deve ter estado enclausurada, donde provavelmente nenhum dos seus residentes tenha contactado com outro ser humano nestes últimos 10/12 dias! O TT (
prova de todo o terreno), que juntou mais de 200 pessoas no parque exposições não conta, tal como a "
feria de Olivença" que também teve aficionados locais, ou ainda os passeios aos
plazas da região (Évora ou Badajoz, por ex.)! Tudo na semana passada. E tudo situações normais. À data.
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Com a fronteira bloqueada, vários conterrâneos, trabalhadores transfronteiriços, ficaram impedidos de se deslocar ao trabalho a partir de ontem. Esta situação, que a decisão de encerramento salvaguarda para nove locais, deverá ser preocupação das entidades locais, tentando sem hesitação reclamar o mesmo tratamento para os membros da nossa comunidade, sem pôr em causa o
"controlo de pessoas nas fronteiras no âmbito da situação epidemiológica provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 e da doença COVID-19" (cf. Resolução Conselho de Ministros nº 10-B/2020, Orden INT/239/2020, de 16/3 e Orden INT/248/2020, de 18/3)
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27 anos depois da abertura da fronteira,
que ocorreu às 23h00, de 9 de janeiro de 1993, que tanto ansiámos e pela que gerações lutaram, "
exigimos e conseguimos" fechar ontem à tarde a fronteira Barrancos/Encinasola/Barrancos com blocos de cimento bloqueando a estrada, colocados pela CMB, a pedido das autoridades policiais!
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É verdade que estamos numa fase crítica de proteção das comunidades duma pandemia, cujas consequências não se conhecem, e que está a atingir cada vez mais gente. Mas, também, não podemos esquecer que, desde tempos imemoriais, as comunidades da raia sempre se contactaram e entre-ajudaram. A nossa fronteira, que sempre foi muito peculiar, com aberturas sazonais e temporárias, entrou neste momento num processo de retrocesso devido ao estado de emergência sanitária, que esperamos seja breve.
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Com todo este alarmismo, justificado com a preocupação e o desconhecimento sobre a pandemia, uma questão se coloca: Onde fica a solidariedade dos barranquenhos, descendentes daqueles que protegeram e acolheram os
refugiados da guerra civil espanhola, que tanto nos tem enchido de orgulho nestes últimos anos?
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ponte do barranco de Pedro Miguel - linha de fronteira Barrancos/Encinasola
Foto: Cortesia João Agulhas, 17-03-2020 |
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| estrada Barrancos/Encinasola |
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barrancos de Pedro Miguel - linha de fronteira Barrancos/Encinasola
(Fotos: eB, 16-10-2018) |