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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Fronteira: deputados do PCP pedem explicações ao governo

Os deputados do PCP entregaram ontem um requerimento no parlamento, questionando o governo sobre a situação da fronteira de Barrancos/Encinasola. 
Para os deputados do PCP, o caso de Barrancos deveria ter o mesmo tratamento que Mourão e Villanueva del Fresno, “onde foi criado um ponto de passagem autorizado entre Portugal e Espanha sob vigilância rigorosa da Guarda Nacional Republicana (GNR), esta abertura tem horas determinadas, ou seja, nos dias úteis, das 7h às 09h e das 18h às 20h.”
Segundo o requerimento apresentado, o “PCP que acompanha a preocupação da população de Barrancos e entende que a situação de encerramento de fronteiras e no caso concreto entre Barrancos e Encinasola, deve ser permitido criar uma excepção, através de um ponto de fronteira transitável, em períodos especificados que responda ao transporte de trabalhadores, bem como a circulação de veículos de emergência e socorro e de serviço de urgência entre as localidades de Barrancos e Encinasola
 No requerimento, que o eB teve acesso, os deputados perguntam ao governo se:
- "Tem conhecimento das dificuldades acrescidas pelas quais passa a população do concelho de Barrancos devido ao encerramento da sua fronteira com Espanha?
- Está disponível para adoptar uma solução já encontrada para situações idênticas, criando um ponto de fronteira transitável, em períodos especificados na fronteira entre Barrancos e Encinasola
- Que medidas vai tomar para responder aos problemas económicos e sociais associados ao encerramento da fronteira?"
Recorda-se que o encerramento da fronteira de Barrancos/Encinasola tem sido muito contestada, sobretudo pelos trabalhadores transfronteiriços da zona, tendo inclusive merecido um pedido de esclarecimento ao governo por parte da CMB.
Entretanto, soube o eB que a TVI estará amanhã  em Barrancos para fazer uma reportagem sobre a situação da fronteira, estando prevista uma entrevista com os trabalhadores transfronteiriços.
Fronteira de Barrancos/Encinasola
(Fotos: Arquivo, eB, 2020)

terça-feira, 3 de março de 2015

Memórias de Barrancos - a descida às entranhas da Mina de Apariz

A fotografia abaixo reproduzida, da agência Magnum Photos, tirada a 1 de agosto de 1974, pelo fotografo Guy Le Querrec, retrata o instante em que um grupo de mineiros desce (ou sobe) na jaula ao fundo da Mina de AparizBarrancos. Entre os mineiros reconheço o tio Henrique, já falecido (lado direito, ao centro, a olhar em frente), que residia na rua de Sº Bento. 
Foto: Guy Le Querrec, Mina de Apariz, Barrancos, 01-08-1974
Nota:
Um agradecimento especial ao Hugo Valério, que já aqui falámos, que me fez chegar este documento histórico através do seu pai Manuel Peres Valério, para ser partilhado pelos leitores do eB.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Hoje passam 50 anos da morte de Humberto Delgado...

... aqui bem perto, em Villa Nueva del Fresno, por agente da Pide, dizem que a mando de Salazar.
.
Sobre este capítulo negro da história recente de Portugal, remeto os leitores para os excelente post que um amigo e vizinho bloguer, Jesus Romero, escreveu há cerca de 10 dias. É dele também, a foto que ilustra esta breve. 
placa comemorativa do 40º aniversário, 2005. Foto: JCR  (jC 24-12-2014)
Aditamento:
O Expresso relembra hoje a entrevista com o PIDE Rosa Casaco, o chefe da brigada que assassinou o general. O trabalho, escrito pelo jornalista José Pedro Castanheira, tem uma primeira parte dedicada ao crime propriamente dito e uma segunda em que Rosa Casaco, entretanto falecido, é entrevistado (e, se o leitor bem se lembra, fotografado junto à Torre de Belém, o que na altura, em 1998, causou grande celeuma). 
Se quer saber mais, leia também esta reportagem do mesmo jornal,
A capa da Revista com o antigo inspetor da PIDE Rosa Casaco

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A Praça da Liberdade em Barrancos e o 25 de Abril

Se bem me lembro, na Praça da Liberdade, na foto, decorriam há 40 anos as célebres manifestações de apoio ao 25 de Abril e ao MFA (Movimento das Forças Armadas). Entre maio de 1974 e novembro de 1975 (?) no centro da praça, sempre abarrotada de gente, o Povo ouvia e aclamava com entusiasmo os oradores que discursavam da varanda da Sociedade dos Rapazes. As manifestações ocorriam com periodicidade irregular, nem sempre coincidindo com os acontecimentos nacionais. Dependiam das vontades e das agendas dos líderes regionais (e locais) das organizações políticas e sindicais.
Não encontrei fotos da época, mas retenho na memória da infância imagens de gente (muita gente) na praça e do "burburinho" que se ouvia pelos megafones, a partir da varanda da sociedade.
Viva o 25 de Abril! Viva a Liberdade! Eram frases muito ouvidas. São frases muitos atuais.
Praça da Liberdade, Barrancos, com Sociedade ao fundo. Foto: eB, 23-04-2014

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

À tia Remédios Maruja

Faleceu hoje em Barrancos a Srª Maria dos Remédios Torrado Guerreiro, de 88 anos (12/07/1924), tia Remédios Maruja, para toda a gente.
Cinco meses depois da morte do seu marido (tio Marujo), junta-se a ele para continuar a contar-nos, como só eles sabiam, as tristes histórias da guerra Civil de Espanha, que vivenciaram e nos conseguiram contar, para que não nos esqueçamos!
Descansa em paz.
Em sua homenagem, recordo o vídeo publicado em 15/12/2011 por ocasião do doutoramento da Dulce Simões, com quem colaborou:
Vídeo-síntese do trabalho da Dulce
Canção da Guerra Civil de Espanha
Em 36 que a Guerra foi começada.
No mês de Julho comecei esta perdida
Mas já me vejo de todos destroçada
Eu sou a triste pobre Espanha desvalida

Eu sou a triste pobre Espanha desvalida
São os meus filhos que me têm devorado
Eu vejo além no campo a Cruz erguida
Dos corpos humanos que lá têm sepultado.

Até por fim deixarei de ser Espanha
Ou perderei este meu ser de toda a vida
Pelos flagelos dos abusos de campanha
Eu vejo além e no campo a Cruz erguida.