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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Começaram hoje a desmanchar os Tabuados da Fêra de Barrancos 2026 (1.º dia)

Hoje, dia 2, quarta-feira, começaram a desmanchar os tabuados, trabalho que se deve prolongar por três ou quatro dias, que aqui iremos acompanhando!

A Fêra de Barrancos 2026 chegou ao fim no dia 31 de agosto. Com prolongamento, para dia 1 de setembro!

Ontem, apesar da vacada de dia 1 de setembro, na zona da praça, como manda a tradição - mais recente que a "legalização" dos touros de morte - quase tudo estava fechado para limpezas.  Beber café, só nas pastelarias da rua 1º de dezembro, ou nas bombas GALP. Para comer, o hotel e o restaurante Esquina eram os resistentes!


momentos dos trabalhos de desmontagem dos tabuados de Barrancos 2026
Fotos: eB, 02-09-2026

quinta-feira, 25 de junho de 2026

"Boa cama, Boa mesa" - passou por Barrancos

O suplemento "Boa cama, boa mesa" do semanário Expresso, passou por Barrancos e divulgou na TV Sic Noticias a sua reportagem, que pode ver clicando aqui.

Envolvido entre colinas e linhas de água, o Parque de Natureza de Noudar, a 10 km de Barrancos, guarda segredos e capítulos esquecidos da história de Portugal e de Espanha. No mais profundo Alentejo, há um mundo maravilhoso à espera de ser descoberto.

Com cerca de 1000 hectares, a Herdade da Coitadinha, cujo nome remete para uma pequena coutada, é hoje um santuário de vida selvagem dominado, do topo, pelo Castelo de Noudar.
Construído em 1307, é uma das sugestões da nova coleção
Portugal Autêntico" editada pelo Expresso e já disponível.

Para além da observação da vida selvagem e diversas experiências na natureza, Noudar dispõe de duas unidades de alojamento, que preservam a ruralidade do Alentejo.

Em Barrancos, reconhecido como o município com menor população de Portugal Continental, as gentes locais orgulham-se do dialeto barranquenho, que ainda sobrevive, e da bandeira de “Capital do Presunto”.

É neste contexto que surge a expressão "Presunturismo", um novo conceito de turismo gastronómico que ganhou fama graças à Casa do Porco Preto. Este produtor oferece visitas guiadas que dão a conhecer alguns segredos da cura natural de presuntos, paletas e enchidos de porco alentejano.

Na vila, depois de conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, junto à icónica Torre do Relógio, com o popular e muito fotografado ninho de cegonha, faz-se paragem no restaurante A Esquina. Da grelha, obrigatório provar o típico catalão e, em tempo de caça, o “Coelho bravo”.

O roteiro segue em direção da Amareleja, onde visitou a Queijaria Almerinda e terminou na Estação Náutica de Moura.

Monte da Coitadinha, PNN, Barrancos
Castelo de Noudar, Barrancos
(Fonte: texto e captura de imagens do vídeo Boa Cama, Boa mesa, SIC Noticias)

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Falemos hoje de comida de comprar e levar para casa em Barrancos

Nos restaurantes de Barrancos podemos escolher um pouco de tudo, para comer no local ou levar para casa. Mas há um prato, aliás dois, que ainda não encontrei - lentilhas e chícharos.!

Esperando que não omita ninguém por lapso, abaixo fica a lista dos estabelecimentos de restauração locais que também funcionam em regime de "comprar e comer em casa" (takeaway), começando pela entrada da Vila:

- Restaurante Agarrocha (hotel), à entrada da Vila, Rua 1º de Dezembro (google mapas)

Restaurante Agarrocha - Foto: Arquivo eB,

- Café "A Telha", do Davide Berjano, Rua 1º de dezembro, 75 (google mapas)

Café A Telha - Foto: Google Mapas

- A Raquel (Cantinho do Lobo), Rua 1º de Dezembro, 63 (google mapas)

"A Raque" (Cantinho do Lobo) - Foto: Google Mapas

- Restaurante Miradouro, Rua 1º de Dezembro (google mapas)

Restaurante "O Miradouro" - Foto: Arquivo, eB,

- Café "O Chapa", Rua das Forças Armadas, 60-62 (google mapas)

Café "O Chapa"  - Foto: Arquivo, eB

- Restaurante "O Central", junto à praça da Liberdade (google mapas)

Restaurante "O Central" - Foto: Arquivo, eB

- Sociedade Recreativa Artística Barranquense (SRAB), praça da Liberdade (google mapas)

Sociedade dos Rapazes (SRAB) - Foto: Arquivo, eB

- Restaurante "A Esquina", rua das Fontainhas, 2 (google mapas)

Restaurante "A Esquina" - Foto: Arquivo eB

Bom apetite!

 Cozido de ossos com couve do Restaurante Esquina
Foto: A esquina
cozido de grãos com bacalhau, da Sociedade dos Rapazes
Foto: eB, 18/03/2026
cozido/guisado de grãos
Foto: daqui

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Morcilha de lustre - proclamado Prato de Encinasola na Carta Provincial de Huelva

"Se declara este identitario plato como el representante de Encinasola, en la Carta Gastronómica de la Provincia de Huelva".

Foto/Fonte: Huelva Noticias

A morcilha de lustre (ou melhor o mondongo) é um prato que também faz(ia) parte cozinha gastronomia barranquenha. Em Barrancos, ainda há quem faça o mondongo (morcilha de lustre e reboltilhos, de chibo ou borrego), mas provavelmente comprados nos talhos de Encinasola. Nos restaurantes locais, n` O Esquina (ver foto abaixo), o mondongo ainda consta da ementa como prato local, em ocasiões especiais. 

A morcilha de lustre, também fazia parte do tapeu de Barrancos, onde era muito apreciada, mas já só a encontramos no café Chapa.

Há 11 anos, num artigo sobre a "arca do Gosto", o eB lamentava que o mondongo ou mocilha de lustre estava quase desaparecido em Barrancos, acrescentando que "em Encinasola ainda domina, podendo também ser encontrado como tapa, acompanhando um copo de vinho ao balcão de qualquer bar.

Na casa da minha mãe, o mondongo (morcilha de lustre e o reboltilho), feitos pela tia Glória, era um almoço habitual na nossa mesa, tal como a lentilha.

prato de mondongo, no restaurante Esquina
preparação do prato de mondongo (morcilha, reboltilhos e patas)
Foto: Cortesia Domingas Segão, setembro/2025

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Barrancos Capital do Presunto - a importância do turismo para o crescimento económico

Na vila de Barrancos há quatro restaurantes (começando pela rotunda do touro, à entrada da Vila):

Agarrocha, no hotel 3* com o mesmo nome, constituído por uma sala grande para refeições, esplanada e espaço bar/café;

Miradouro, na rua 1º de Dezembro, a 50 metros do Jardim do Miradouro, composto por duas salas de refeições (interior e exterior, com vista para a Serra Colorada);

Tropical (novo), no Largo de Montes Claros, com duas amplas salas de refeições (r/chão e 1º andar e esplanada nio quintal;

A Esquina, na esquina da Rua de Fontainhas com a Rua 1º de Maio, junto à GNR, o mais antigo e conhecido, composto por uma sala e esplanada exterior, para além do pequeno espaço do balcão, para bar/café e tapeu;

Existe, ainda, o restaurante “A Pançona”, no Monte da Coitadinha, mas este, a 10 km da Vila, está mais focado no cliente do Parque Natureza de Noudar.

Para além destes restaurantes, existem mais três pequenos estabelecimentos de bebidas, onde se pode comer/petiscar (seguindo a mesma ordem, desde a rotunda):

Café “A Telha, na rua 1º de Dezembro, perto do Posto de Turismo, com "comida para fora", especializado em frango assado e grelhados diversos;

Café-Bar “O Chapa, junto ao Largo de Montes Claros, perto do Novo Banco, com variedade de menus de comida tradicional (de preferência para tapas e petiscos);

3º A Sociedade dos Rapazes, oficialmente Sociedade Recreativa Artística Barranquense, na Praça da Liberdade, centro da Vila, onde também se pode comer/petiscar e provar a comida tradicional.

Na semana da Páscoa, Barrancos costuma ser muito procurado, sobretudo por turistas espanhóis que “fogem” à Semana Santa, e querem provar a nossa comida. O bacalhau, continua a ser o principal pedido.

Neste domingo de Páscoa, ontem, com o restaurante Agarrocha encerrado, a oferta ficou limitada a três estabelecimentos que não me parece tenham tido capacidade de resposta para tanta procura! Às 14h30, muitos turistas, mas também conterrâneos e amigos de Barrancos a gozar mini-férias na Terra, procuravam sitio “para comer”!

Como dizia na esplanada de um café, pessoa conhecida e observadora, Barrancos costuma ter uma “procura irregular”! Sendo certo que o movimento (sazonalidade), pode contribuir para a manutenção da situação, nada impede que se proceda a ajustamentos, pelo lado da oferta de determinados serviços. Se Barrancos tivesse apetrechado com mais dois ou três estabelecimentos de restauração (com classificação e até preços diferenciados), para acolher mais turistas, o crescimento poderia ser sustentável. Na atual condição, parece-me que há outras paragens que estão a aproveitar as nossas deficiências estruturais! Sem falar na hotelaria (e outros serviços), onde o problema talvez seja ainda maior. 

Estamos ainda a tempor de corrigir.


Nota do autor
Já depois de escrita a noticia acima, frequentei um dos estabelecimentos locais onde foi abordado necessariamente o "dia de hoje". No "seu" restaurante, contou com satisfação, mas também com cansaço, que ninguém ficou sem comer, mas eram "seis da tarde quando saiu o último grupo". Às 20h, confirmei, já a esplanada estava cheia (esgotaram os caracóis), a sala do restaurante estava outra vez quase lotada, e na zona do balcão, o tapeu ocupava o espaço.

Na conversa, reconheceu que no dia-a-dia pode haver "rame-rame" (pouco movimento), mas é sua preocupação "bem-servir e conseguir dar resposta ao cliente" - muitos deles já frequentadores da casa há anos. Concorda que Barrancos tem "potencial para mais dois ou três restaurantes, com garantia de melhoria da qualidade do serviço prestado". Acrescentou, também que, por vezes, em conversa com os empresários locais do sector, reconhece que  alguns estabelecimentos podiam aproveitar melhor as suas potencialidades de espaço, de localização,... e juventude! Por fim, concordou que as "nossas ineficiências" estão a "fazer a casa" de localidades próximas, que aproveitaram este recurso que não tinham!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Novo Banco de Barrancos abre apenas três dias /semana, a partir de 2 de janeiro de 2023

O Vicente Rato, diretor coordenador do Departamento de Desenvolvimento e Marketing do Novo Banco, mandou uma carta aos clientes a informar que, "a partir de 2 de janeiro de 2023, o Balcão de Barrancos estará aberto às segundas, quartas e sextas-feiras, no horário das 8h30 às 15h00, com encerramento à hora de almoço, das 12h00 às 13h00,".

Na missiva, o Vicente, que começa por dizer que "no Novo Banco o acompanhamento a clientes merece a (sua) melhor atenção", não esquece de referir que, "caso necessite de algum serviço bancário" está ao "dispor às terças e quintas-feiras, no Balcão Moura, na Rua da República, nº 30-36, em Moura", que como sabemos é já ali ao voltar da esquina! Como alternativa, pode sempre  (o cliente) ligar para vários telefones, das 9h00 às 18h00, cujo tarifário da rede fixa ou móvel, o Vicente, por cortesia, incluiu na carta, ou então, como sugere, visite o site www.novobanco.pt. Coisa que os clientes do banco, sobretudo os mais idosos, fazem diariamente.

Em suma, conforme o eB tinha divulgado, eis o "novo modelo de funcionamento da agência de Barrancos" do Novo Banco, velho BES, a partir de hoje, 2 de janeiro de 2023.

(carta aos clientes)

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Restaurante "A Esquina" (Barrancos) - "guardião das receitas e dos ingredientes de outrora"

No mesmo dia em que anunciava aos clientes e amigos que se "encontra temporariamente encerrado"*, o semanário Expresso publica um suplemento "Manual .. à Mesa" que dá destaque à cozinha tradicional do restaurante "A Esquina", de Barrancos, "um dos guardiões das receitas e dos ingredientes de outrora".

(* que seja rápida a recuperação do R, para que seja curto o encerramento)

suplemento do Expresso, 23-09-2022

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Festas de Barrancos 2022 - um pouco da terceira a última tourada (dia 31)

Esteve um dia mais fresco que os outros três, mas à hora da tourada,18h00, faz sempre calor. Na arena, em cima do tabuado, debaixo do tabuado, nas portadas, a circular entre uma portada (finanças) e outra (a do padre), o calor é mais intenso e o suor faz-se notar. 

Este ano, para quem fica de fora da praça, na zona da igreja, sentiu a falta do bar do Clube (do Barrancos FC), na praça pequena ou do Bar do Centro Social, na rua da Igreja, frente ao antigo posto da GNR. Valeu a carrinha da Comissão de Festas, colocada frente ao cartório, na esquina da casa da Isabelita Tereno. Aqui, os menos afoitos ou menos interessados nas faenas, porque também os há, cumpriam um dos rituais de fêra: bebiam uma imperial entre amigos, enquanto conversavam sobre "como tinha corrido a fêra", ou "que fará a nova comissão amanhã" ou, ainda, "quando desmancharão os tabuados", ou... ou... há sempre muitos "ous" temas de conversa. Tantos, quanto os grupos que aqui estavam.

Entretanto, na arena, o matador Manuel Perera contracenava com um Couto de Fornilhos. Perto ou longe, em Madrid, Paris, Londres, em Genebra, na zona de Lisboa, ou até na praça pequena, mesmo ao lado dos tabuados, havia quem assistisse à tourada "em direto do facebook de x, y ou z", que passou a ser uma ferramenta muito procurada nestas ocasiões. Aqui, ali ou acolá, via-se a Fêra de Barrancos em direto, e quem estava longe ficava agradecido. Muito agradecido/a.

Regressando à faena do matador Perera, vista em direto pelo facebook, podemos referir que foi boa, tão boa como as das touradas anteriores, de 29 e 30, que também o foram. O sucesso das touradas da fêra de 2022 fica aqui registado. A comissão arriscou, terá sido bem aconselhada. O eB reconhece e agradece aos festêros/festêras.

Na praça, a vaca e os aficionados locais continuam a disputar o protagonismo. Os tabuados começam a vaziar e a vaca despede-se eram quase 20h00, com o sol posto.

A Fêra de Barrancos regressa em 2023, mas antes, amanhã dia 32, "há vacada da nova comissão"! Faz parte da tradição. 

No dia 33, sexta-feira, que faremos, se ainda há tabuados?

momentos da tourada do dia 31
(Fotos: eB e IP, 31-08-2022)

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Festas de Barrancos 2022 - Já se conhece o programa. E depois?

A Comissão de Festas de Nossa Senhora da Conceição já divulgou o programa das Fêra 2022, que decorre de 28 a 31 de agosto. 

Depois de dois anos sem Festa/Fêra (2020 e 2021), se "houver uma enchente", teremos condições de acolher, acomodar e alimentar quem nos procura/visita? 

A Vila de Barrancos tem, nesta data, apenas três restaurantes: A Esquina, o Miradouro e o Agarrocha (Hotel), e mais duas (ou três?) "casas" onde se pode comer! Mas, como não benham rulóti de bifâna, de cachorru, ou de pexuga de pôlho, bái a-ber prublema na fêra! O bufete do Quintalão, a concessionar pela Comissão de Festas no dia 18 de agosto, pode ser uma alternativa. Vamos ver!

Na Capital do Presunto, a sandes de presunto também não pode faltar. Ou hambúrguer, com presunto.

(Google - Barrancos)

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Contributos para a História de Barrancos (XIX) – a Fêra II

No ano em que Barrancos não terá a sua tradicional fêra, pelo segundo ano consecutivo, vale a pena conhecer o contributo histórico sobre a "Fêra de Barrancos", da autoria de José Peres Valério, publicado ontem no seu perfil facebook, que o eB aqui partilha, pelo seu relevante interesse para o conhecimento da história da nossa Fêra:
(..)
"No passado dia 13 de Maio escrevi o texto sobre a Fêra em Barrancos. “Citei que, não era fácil escrever sobre a Fêra se observarmos a diversidade de acontecimentos que se arrasta desde o seu início”. Todavia achei por bem dar continuidade em alguma coisa que julgo ser útil.

A tabela abaixo mostra como evoluiu o número de habitantes em Barrancos de 1878 a 2017. Como se demonstra, houve um aumento acentuado até 1950 entrando em queda até 1970 e seguintes.

Ano

População

(Habitantes)

   1878

   1950

   1970      

        2386

        3624

        2610

(Fonte: Censos; Anuário Estatístico da Região Alentejo 2017)

Vêm estes dados a propósito dos barranquenhos que viviam dia-a-dia em Barrancos, diretamente ligados à fêra. Esta era do povo e mais ninguém, salvo alguns vizinhos, de aldeias mais próximas Portugal e Espanha, que se deslocavam a assistir a este evento. Porém, o êxodo verificado em fins da década de 1950 principio de 1960, citado no contributo XVIII, ditou a saída de um número bastante acentuado de pessoas da nossa terra, que voltava anualmente para assistir à Fêra. A maioria dos aficionados do mundo do touro, de outras paragens, não participava por não possuir meios de transporte, nem capacidade económica, face a pobreza, que se fazia sentir em todo o país. 

Era uma festa discreta. Só a partir de fins de 1960 começa a haver notícias na imprensa, pela pior circunstância. Todavia, o barranquenho sem esquecer as suas raízes, com o sentimento que se apoderava dele nesta altura, deslocava-se como podia e estava presente na sua/nossa Fêra.  

Como já narrei em outros artigos, a vida naquela altura não era fácil. Os únicos dias de diversão que o ser humano tinha nesta terra  eram: a Fêra (a mais vivida) ; o Natal; o Carnaval; Páscoa; Romaria de Flores e pouco mais, para expressar o desejo que lhe ia na alma. Sim, porque tinha que passar um ano entre as Fêras para poder satisfazer o apetite  acumulado, fazendo esquecer por um lapso de tempo, as agruras da vida passadas durante esse ano.

Para celebrar o dia 28 de Agosto, idosos, menos idosos e juventude, de entre os mais desfavorecidos, iam fazendo um mealheiro no decorrer do ano para, chegado este dia, se poderem apresentar condignamente  vestidos com indumentária  nova à semelhança dos mais abastados. Como os tempos eram difíceis, sem trabalho,  deitavam mãos a tudo que pudesse dar uns tostões para confraternizar com familiares e amigos nos quatro dias citados. O período que antecedia a Fêra (meses de Julho e Agosto), o alfaiate, Tio João Tereno, (residente na Praça do Município), suas aprendizas e costureiras (aproximadamente 15), trabalhavam numa azafama constante ─ muitos dias até à meia-noite ─, para poderem ter pronta as encomendas que os clientes faziam. Estas trabalhadoras, aprendizas, não tinham vencimentos. Era o que se  praticava na aprendizagem de qualquer oficio. As costureiras ganhavam cinco escudos por cada calça feita. Outras faziam estes trabalhos por conta própria. Contudo, no pouco que havia para ver, mas muito para aquele tempo, o povo expressava os seus anseios para os dias que se avizinhavam. Nestes dias, o sossego não pairava na mente dos jovens nem na de muitos dos mais idosos. Eram touros, bailes, confraternização entre familiares e amigos com uns copos à mistura… dias após dias até o final das festas. O barranquenho ausente, com a  hospitalidade que o distingue, trazia amigos e companheiros de trabalho  de outras paragens onde ganhava a vida. Para esses foram dias  inesquecível. Quando partiam, já desejavam que o tempo fosse breve para voltarem a estar presentes neste lugar acolhedor. Eram  dias sem ir à cama, imbuídos na farra com que carateriza a nossa Fêra, da hora do encerro, passando pelas corridas de touros e bailes, até ao dia seguinte.  

Todavia, há pormenores que não se esquecem e nos remetem para aqueles tempos nostálgicos. Quando as touradas terminavam, o povo tinha um único caminho a seguir: o do Alto Sano. Sítio onde estavam centralizados os carroceis, circo, barracas: de bugigangas, fotografias,  comes e bebes. De manhã, Tia Brizida vendia os heringo na Praça do Município, que neste momento está-me a chegar o cheiro agradável daqueles fritos! (cheiros de fêra!). ─ Só que, infelizmente com este inimigo camuflado, mais um ano ficamos sem  o cheiro agradável ─. Também na Praça do Município os irmãos Perez vendiam torrão, barquilhos, suspiros,  grão torrado etc., muito apreciado pela população. Durante o ano vendiam em casa e pelas ruas.

As crianças, ao verem as barracas cheias de brinquedos, de vários géneros, entravam em êxtase pedindo aos pais que lhes comprassem um. Numa barraca, uma criança chorava porque queria um brinquedo. A mãe, com pena, lhe dizia: amanhã o compro. Mas, doendo-lhe na alma, por ver o filho carpir daquela maneira, meteu a mão no bolso e tirou um saquinho de pano onde trazia os magros tostões. Deitou contas à vida ─ não chegava para adquirir alguns alimentos que tinha em mente ─ mas resolveu  comprar-lhe um dos mais barato: uma roda em madeira, com um boneco a pedalar. Uma chapa sonorizava o brinquedo enquanto a criança o empurrava. Deu-lhe uma alegria esfusiante, aquele mimo da mãe. Noutro lado, certamente, ficou a falta! Os pais dos mais abastados compravam outros brinquedos  mais caros.

A Rua de S. Sebastião ─ da Praça do Município ao Alto Sano ─, àquela hora, era um mar de gente. As tabernas de Tio Zé Burgos, Tio João Laranjinha e, no largo, Tia Vitória, atenuavam o calor abrasador vivido durante as touradas, com bebidas (a temperatura  natural, pois não tinham frigorífico nas décadas de 1950/60). Era um alívio para os mais ávidos, mesmo sem estarem frescas.

Entretanto, Tio Zé Luís Alcario percorria a praça com umas grades de pirolito, gasosas, laranjadas, etc. vendendo e matando a sede aos mais aflitos. Em anos mais recuado, Tio Minhique (alcunha) transitava pela praça cedendo, ─ por umas dezenas de centavos ─, um quartilho de água e assim arrecadavam uns tostões para fazer face ao orçamento familiar.

Porém, à parte da história narrada, aproveito para expor o seguinte:

Nos dias de hoje, nada do que se passava no largo existe. Não temos um só espaço para todas essas diversões, incluindo barracas de comes e bebes, que estão dispersas. Uma barraca de bijutarias na rua próximo ao mercado, outra na estrada junto ao jardim público, outra em Montes Claros, etc. Os investidores, por muita vontade que tenham em vir dinamizar a nossa Fêra e fazerem o seu negócio, podem  perder o desejo à nascença.

Como as autárquicas estão ao virar da esquina, daqui faço um apelo à futura Câmara, se julgar por bem: criar condições para que esta lacuna seja  colmatada para o bem  da festa e de Barrancos.

Gostaria de terminar esta descrição com o desejo de uma Fêra bem passada e cheia de diversões. Mas a peste, que teima em massacrar-nos, não nos permite, mais uma vez, gozar esta festa que herdamos de nossos antepassados.

Barrancos, 16/7/2021 - ass)  José Peres Valério

(imagens JPV)

domingo, 4 de abril de 2021

COVID 19 - esplanadas reabrem amanhã e podem funcionar até às 22h30, mas aos fins-de-semana e feriados fecham às 13h00

Foi publicado o Decreto nº 6/2021, de 3/4, que regulamenta o estado de emergência decretado pelo Presidente da República, para o período de 5 a 15 de abril de 2021.

Segundo o decreto, os estabelecimentos de restauração e similares, ou seja restaurantes, cafés ou confeitarias, estão autorizados a reabrir esta segunda-feira, 5 de abril, podendo funcionar até às 22h30 nos dias úteis. Mas aos sábados, domingos e feriados o horário “encolhe” para as 13h. E continua proibida a venda/consumo ao balcão ou no interior do estabelecimento. Tudo, ao ar livre.

esplanada do restaurante "A Esquina", Barrancos
(Foto: Arquivo, eB, 2017)


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Contributos para a História de Barrancos (XIV) - a Tapa e o tapêu

Mais um excelente contributo de José Peres Valério (texto e fotos):
(...)
Tapa palavra com variadíssimos significados. É uma forma verbal na 3ª pessoa do singular, do presente do indicativo do verbo tapar, que nada tem que ver com o que se passa a descrever.  Esta palavra tem aplicações de tapamentos, ou sapatos, até à culinária. Nesta área, para qualquer Barranquenho a Tapa não é desconhecida, mas certamente ignorada por alguns. Posto isto, passo a relatar o que a história nos diz. Oriunda de Espanha, tinha por finalidade de ser colocada na boca da taça, com bebida, para evitar a entrada de pó. Usavam-se fatia de queijo, presunto ou outras. É um aperitivo servido, desde tempos remotos, nos bares e restaurantes de Espanha para acompanhar as bebidas que, segundo lendas, de conhecimento oral, existem várias hipóteses sobre o aparecimento das Tapas. Um dos mais conhecidos diz que as Tapas surgiram no século XIII durante o reinado de Afonso X de Leão e Castela que, devido a uma doença se viu obrigado, a tomar goles de vinho e, para evitar a embriaguez, comia alguma coisa acompanhando o vinho.  

Outra, conta que os reis católicos obrigaram os taberneiros a servirem, com a taça de vinho ou cerveja, uma Tapa, fria: queijo; presunto; chouriço, o que houvesse.

Uma versão popular mais simples diz que as Tapas surgiram da necessidade dos trabalhadores em adquirir força para seguir trabalhando até a hora do almoço. Essa necessidade era preenchida com a ingestão de um pouco de comida acompanhada por um pouco de vinho. Todavia é antigo o costume espanhol de se comerem pequenas porções de comida para aliviar a fome.

Entretanto, com a expansão por toda a Espanha, este hábito, converteu-se num fenómeno culinário exportado para outros países, nomeadamente: EUA, América Latina e outros, sem esquecer Portugal.

Dada esta pequena introdução passo a narrar o que é a Tapa em Barrancos.

Barrancos, situado na fronteira Leste do país, que desde cedo começou a adquirir costumes e culturas com os povos espanhóis mais próximos, em especial Encinasola por distar 9 Km e, também, ainda que mais distantes, Oliva de la Frontera, Higuera la Real e Fregenal. Tomando aquela lenda, pensa-se que neste intercâmbio a Tapa foi uma das bases da culinária que o povo de Barrancos adquiriu, prevalecendo até os dias de hoje.

Quando, chegado a um café, sociedade, restaurante, hotel e pedir uma taça, um jarro de ¼ litro ─ que predomina ─, ou uma garrafa de vinho, a Tapa, fria ou quente, acompanha sem necessidade de ser pedida, incorporada no custo da bebida. Com a cerveja não há Tapas, mas às vezes, os empresários, põem também amendoins ou outros. É óbvio que com um bom vinho não há melhor acompanhamento do que uma boa Tapa. Quantas vezes pessoas, de passagem por Barrancos, constatando este facto, se interrogam, exclamando: Como é possível! Depois, quando se explica o “fenómeno” responde, a grande maioria, que em nenhuma parte do território nacional se verifica tal prática. De facto não se sabe concretamente  se  em todo o território fronteiriço ou não, se pratica este sistema. Mas por aquilo que se ouve dizer, julga-se que Barrancos será o único ou muito próximo de sê-lo.  

É um sistema implementado desde os primórdios dos tempos.  Uma forma de socialização entre amigos.

Chegado o desejado Domingo, dia de descanso com momentos de descontração depois de uma semana de trabalho árduo, os trabalhadores rurais em especial e alguns artífices, juntavam-se nas tabernas bebendo uns copos de vinho com a boa Tapa.  Daí seguiam para outras, grupos de 6/7 indivíduos, às vezes até mais, entoando as nobres quadras ancestrais alentejanas, que nos transmitem os sentimentos e momentos do quotidiano, pelas ruas até chegarem à taberna mais próxima. E assim prosseguiam por umas quantas, − bebendo uns copos e Tapeando ─ ora numa, ora noutra.

Barrancos sempre teve variadíssimas tabernas que serviam Tapas de excelência. Quais, dos que provaram, não se lembram das pardelhas assadas com coentros, cebola, alho e azeite com que alguns taberneiros, por exemplo: Tio Tomás Tereno, entre outros,  tinham o gosto de nos presentear?

Barrancos, também se preza de ter variadíssimos cantadores do cante alentejano que outrora se elevaram em concursos conquistando alguns 1ºs. lugares. Foi possuidor de dois grupos, qual deles o melhor. Pena que hoje não haja um, que represente a nossa terra por outros mundos.

Entretanto, a título de curiosidade, passo a citar as tabernas, cafés e restaurantes, que recordo, algumas, com nostalgia, desde a década de 50 do século transato: tabernas do tio Zé Grabiel, na Rua da Parra; Tio Manuel Pelador, Rua Jerónimo Vasquez; Zé Fialho (Zacarias), Rua da Igreja; Sociedades Recreativa e Sociedade União, na Praça da Liberdade; A Pipa e Tia Remédio e Café Central, Rua da Praça da Liberdade ; Tio Zé Burgo e Tio João Bergano, conhecido por Joanilho, na Rua S. Sebastião; Tia Vitória, Largo do Altossano; Zé Basso, hoje Restaurante A Esquina, na Rua das Fontainhas;  Manuel Ortega, mais tarde Tio Zé Burgos, tio António Oliveira conhecido por António Bomba, Tio António Nunes/Domingos Fretes, André Taberneira mais tarde José Costa, conhecido por Zelilha, Tio António Currito, Gabriel, Tio Tomás Tereno mais tarde Florindo Carvalho, Manuel Costa, conhecido por Manuel Minhoca, na Rua Forças Armadas; Zé Nunes, Tio António Bergano, conhecido por António Lalo, Sociedade Filarmónica, Tio Zé Mourenho, Tio Mateo, Largo de Montes Claros; Tio Zé Nunes (pai), Zé Nunes (filho), Tio Sequeira, Carlos Mourenho, Restaurante Miradouro, Diogo Pelau, António Lobo, João Cantare, Carlos Durão, mais tarde outros, Tio Carixa e Hotel Agarrocha, Rua 1.º de Dezembro; Manuel Candêo, Rua de Moçambique.

Barrancos, 17 de Janeiro de 2021

ass)José Peres Valério