Mostrar mensagens com a etiqueta Escolas de Fronteira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escolas de Fronteira. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Escolas de Fronteira ganham Prémio de Cooperação Transfronteiriça

O programa Escolas Bilingues e Interculturais Fronteiriça, conhecido como Escolas de Fronteira, foi distinguido com o Prémio de Cooperação Transfronteiriça Eurocidade do Guadiana 2026. 

O prémio reconhece formalmente o esforço coordenado das instituições e dos estabelecimentos de ensino que trabalham ao longo da fronteira para derrubar barreiras através do multilinguismo, da diversidade cultural e do intercâmbio docente entre Espanha e Portugal. 

O programa, criado pelos governos português e espanhol, com o apoio das Comunidades Autónomas da Galiza, Castilla e Leon, Extremadura e Anduzia, e a Organização de Estados Iberoamericanos (OEI), tem vindo a consolidar-se desde 2021 como um mecanismo de desenvolvimento educativo, social e económico para a Raia Ibérica.

Atualmente, o projeto Escolas Bilingues e Interculturais de Fronteira (PEBIF) conta com 55 estabelecimentos de ensino portugueses e espanhóis, 2368 alunos e 167 professores da Raia.

O programa Escolas Bilingues e Interculturais Fronteiriça (Escolas de Fronteira), e as suas potencialidades tem sido várias vezes abordados pelo eB desde 2009, chegando mesmo a admitir a possibilidade de criação da Escola de Fronteira Barrancos-Encinasola.  

Com o eB sugeria em 01/12/2009, "se barranquenhos e marochos, já partilham bens, serviços e recursos – cuidados médicos (Encinasola), bombeiros (Barrancos), combustível (Encinasola), comércio (Encinasola e Barrancos) - … porque não partilhar também o sistema de ensino?"

Escolas de Fronteira
(Fonte/fotos: OEI e El Trapezio)

Foto: Arquivo eB, 2009

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Declaração conjunta XXXIII Cimeira Luso-Espanhola (Braga) abre portas à criação de "escola de fronteira" - Barrancos/Encinasola pode ser um exemplo

A criação de uma Escola de Fronteira, em Barrancos, ou em Encinasola, parece vir ao encontro da vontade dos governos de Portugal e Espanha,  que aprovaram o ponto 36 da Declaração conjunta XXXIII Cimeira Luso-Espanhola, que decorreu em Braga, no passado dia 4 de novembro:

"(...) 36. Portugal e Espanha reconhecem o papel das línguas, da formação profissional, da educação e da cultura como vetores fundamentais da sua relação bilateral e comprometem-se a apoiar experiências educativas locais e regionais que promovam o bilinguismo e a interculturalidade. Reafirmam o seu compromisso para continuar a melhorar e ampliar a dita cooperação." (...)
(...)

A criação de modelos de ensino inovadores e alternativos, com partilha de recursos, com semelhanças às "Escolas de Fronteira", foi uma das propostas discutidas na reunião do Conselho Municipal de Educação de Barrancos, realizado no passado dia 2 de novembro, durante a apresentação da Carta Educativa de Barrancos.

O Projeto de Escolas Bilingues e Interculturais de Fronteira (PEBIF), já existe entre os governos de Portugal e de Espanha e as Comunidades Autónomas, com a colaboração da Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) como parceiro estratégico, mas no caso de Barrancos/Encinasola pode adotar um novo modelo experimental - começar logo no 1º ano do ensino básico e prolongar-se até ao final do ensino secundário (12 anos de estudo). Com este modelo se ensino bilingue e curriculum inovador, com docentes das duas nacionalidades, não só evitaria que a saída dos alunos das duas localidades raianas para prosseguir estudos a partir do secundário (Barrancos) ou do 8º ano (Encinasola). 

No âmbito deste tão importante eixo, destacamos a ação que tem como objeto “estabelecer uma rede de escolas bilingues e interculturais de fronteira, em ambos os países, promovendo projetos curriculares articulados”, que vai ao encontro do que o eB falou e defendeu - aqui, aqui, aqui, aqui e aqui -  a criação de Escola de Fronteira.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço (ECDT) - "reforçada a sua importância" na Cimeira Ibérica da Guarda, de 10 de outubro

A ECDT, que já aqui tínhamos falado, representa o cumprimento do compromisso do Governo do Reino de Espanha e do Governo da República Portuguesa, que consta no Memorando de Entendimento assinado em 2018 na XXX Cimeira Luso-Espanhola, em Valladodid, para a definição de uma Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço.


Para alcançar as metas definidas no Memorando, são estabelecidos os seguintes Objetivos Estratégicos:
i. Garantir a igualdade de oportunidades e o livre exercício dos direitos de cidadania no quadro do desenvolvimento desta Estratégia.
ii. Garantir a provisão adequada de serviços básicos a todas as pessoas, adaptada às características do território, e aproveitando recursos de ambos os lados da fronteira.
iii. Eliminar barreiras e custos do contexto, facilitando a interação transfronteiriça e reforçando as dinâmicas de cooperação.
iv. Promover a atratividade dos territórios de fronteira, fomentando o desenvolvimento de novas atividades económicas e de novas iniciativas empresariais.
v. Favorecer a fixação de população nas áreas transfronteiriças, facilitando a instalação de pessoas, quer para residência habitual, quer temporária, apostando em novas formas de integração e vinculação que gerem dinamismo no território.
 
Para alcançar os objetivos estratégicos propostos, as ações a desenvolver serão concentradas em cinco áreas ou objetivos temáticos:
i. Mobilidade transfronteiriça e eliminação dos custos de contexto.
ii. Infraestruturas, físicas e digitais, e conectividade territorial: vias de comunicação, internet e rede móvel.
iii. Gestão conjunta de serviços básicos nas áreas de educação, saúde, serviços sociais, proteção civil ou outros em que se verifiquem vantagens na provisão conjunta.
iv. Desenvolvimento económico e inovação territorial: atração de pessoas, empresas e novas atividades. v. Ambiente, centros urbanos e cultura

São Eixos de Intervenção para uma Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço:
Eixo - Mobilidade, segurança e eliminação dos custos de contexto
- Harmonização, simplificação e eliminação dos obstáculos jurídicos e/ou administrativos à mobilidade transfronteiriça.
- Promoção da gestão conjunta em conurbações transfronteiriças.

Eixo - Infraestruturas e conectividade territorial
- Programa de infraestruturas rodoviárias e ferroviárias transfronteiriças.
- Desenvolvimento de um Plano de Conectividade Digital, que forneça cobertura digital adequada - móvel e internet - no território transfronteiriço, e estabelecer as bases para o desenvolvimento de serviço 5G.

Eixo - Gestão conjunta de serviços básicos nas áreas de educação, saúde, serviços sociais, proteção civil ou outros em que se verifiquem vantagens na provisão conjunta
- Educação e Conhecimento.
- Saúde e Serviços sociais.
- Proteção Civil.
- Segurança
No âmbito deste tão importante eixo, destacamos a ação que tem como objeto “estabelecer uma rede de escolas bilingues e interculturais de fronteira, em ambos os países, promovendo projetos curriculares articulados”, que vai ao encontro do que o eB falou e defendeu - aqui, aqui, aqui, e aqui -  a criação de Escola de Fronteira.

Eixo - Desenvolvimento económico e inovação territorial: retenção, atração e fixação de pessoas, empresas e novas atividades
- Promoção de ambiente de negócios favorável em setores económicos prioritários. Internacionalização de bens e serviços.
- Valorização das infraestruturas produtivas existentes na zona transfronteiriça.
- Promoção de iniciativas de turismo transfronteiriças, melhorando a qualidade e a sustentabilidade das ofertas.

Eixo - Ambiente, energia, centros urbanos e cultura
- Desenvolvimento de projetos para a proteção e melhoria de áreas classificadas transfronteiriças.
- Valorização dos centros urbanos, garantindo a proteção de seus valores culturais e a revitalização do mercado imobiliário para compra e locação.
- Desenvolvimento de projetos culturais transfronteiriços ligados ao património cultural tangível e intangível.

A governança da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço deve basear-se em três pilares que dão forma a um modelo de multigovernança participativa:
- Uma instância de coordenação política, que reúna periodicamente a nível de Ministro ou de Secretário de Estado, para assegurar a orientação da estratégia e garantir a capacidade de ação em ambos os países para alcançar os objetivos esperados.
- Um nível intermédio assegurado pelo Grupo de Trabalho criado pelo Memorando de Entendimento entre o Governo de Espanha e o Governo da República Portuguesa;
- Um ou mais grupos de acompanhamento técnicos para questões específicas, constituído por representantes a nomear por cada um dos países.

Conforme referido no próprio enquadramento "a Estratégia constitui uma ferramenta flexível, que define as linhas gerais para dar uma resposta inclusiva orientada ao desenvolvimento territorial, criação de oportunidades e desenvolvimento de projetos pessoais, profissionais e familiares, especialmente para as mulheres e jovens, e a garantia da qualidade de vida das pessoas que residem na zona transfronteiriça, tanto nas zonas urbanas como nos seus núcleos rurais."

A ECDT constitui, pois, um ambicioso e interessante instrumento politico que vincula os dois Estados Ibéricos -  que pode ser consultado aqui, na sua versão integral - ficando as populações da Raia à espera que as suas ações/medidas sejam concretizadas... rapidamente! Já está com dois anos de atraso.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

As Escolas de Fronteira na I Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola 2019

A Organização de Estados Iberoamericanos promoveu a 1ª Edição da Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola (CILPE2019), em cooperação com os países da Ibero-América, entidades da cultura, educação, cooperação e institutos de línguas, para destacar a importância de trabalhar as duas línguas em conjunto nos domínios da educação, da cultura e da ciência numa perspetiva regional e global.
.
.A conferência, que teve lugar em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, no passado dia 21 e 22 de novembro, centrou-se nas políticas das línguas, na internacionalização, na geopolítica das línguas, nos diálogos interculturais: plurilinguismo e pluricentrismo, no desenvolvimento de competências no domínio da educação e da cultura, sociedade e espaço digital e na relação das línguas com a economia. Consulte abaixo o programa em português e espanhol.
.
.Numa das conferências, um dos intervenientes aprofundou o tema inicialmente abordado pelo ministro da educação de Portugal, na abertura do evento. Segundo disse, o projeto Escolas de Fronteira (bilingue), já apreciado ao nível dos ministérios de educação dos dois países, Portugal e Espanha, poderá ser iniciado brevemente, com cinco experiências piloto da região fronteiriça. Curiosamente, nenhuma “escola” está prevista para o Alentejo, sendo que o processo está a ser desenvolvido em Portugal pelo ministério, através das direções regionais de educação, com apoio das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)!
.
.As Escolas de Fronteira, ideia sobre a qual já tínhamos falado aqui, várias vezes - a primeira, há 10 anos, em dezembro de 2009 (sobre a Escola Europeia), depois em setembro de 2013 (em subsídios para a história da educação),  em maio de 2014 (Euro Vila I) e, mais recente, em maio de 2017 (Euro Vilas Barrancos/Encinasola II) - mas cujo conceito e estatuto desconhecia, são uma realidade nos países da América do Sul, desde 2003. O Brasil, tem estas escolas bilingues com todos os seus países fronteiriços de língua espanhola, salvo com o Suriname, inglês (cf mapa anexo abaixo).
.
.O projeto, com o nome  Escola Intercultural Bilingue de Fronteira, foi proposto inicialmente pela Argentina ao Brasil como etapa de implementação da chamada Carta de Calafate (2003), e mais propriamente do documento intitulado Proyecto Piloto Educación Bilingüe - Escuelas de Frontera Bilingües Portugués-Español, como uma ação bilateral visando a criação de um sistema escolar conjunto que priorizasse o ensino de ambas as línguas. Este projeto foi depois “transposto” para os demais países de fronteira com o Brasil, conforme acima referido. Com sucesso.
.
.Na nossa zona, Barrancos e Encinasola são comunidades locais muito próximas, geograficamente confinantes, que mantêm contactos desde tempos imemoriais. Contudo, apesar de integrarem realidades políticas diferentes, atravessam problemas e fenómenos sociais similares: despovoamento, envelhecimento da população; migração de jovens; etc. A eventual criação de uma Escola de Fronteira para os alunos da Barrancos e Encinasola (e outras localidades), seria um projeto estruturante com dimensão social e cultural, mas também politica e economicamente aliciantes, que favoreceriam a fixação de população e atenuar o despovoamento.
.
.Barrancos e Encinasola já partilham serviços comuns, a saúde é um exemplo, porque não aproveitar os recursos e partilhar também uma educação/escola comum, que permita a escolarização dos seus jovens, sem sair das suas terras, pelo menos até ao final do ensino secundário, partilhando um projeto de escola bilingue?!