"Chama-se barranquenho, fala-se em Barrancos, e acaba de receber aquilo que só as línguas a sério costumam ter: uma gramática!"
Uma crónica de Paulo Freitas do Amaral, que pode ser lida aqui.
"Chama-se barranquenho, fala-se em Barrancos, e acaba de receber aquilo que só as línguas a sério costumam ter: uma gramática!"
Uma crónica de Paulo Freitas do Amaral, que pode ser lida aqui.
"Considerado Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal desde junho de 2008, o barranquenho já foi oficialmente reconhecido pela Assembleia da República em 2021 como uma identidade cultural.
O idioma percorreu, portanto, um longo caminho, mas o objetivo é chegar ainda mais longe e tornar-se na terceira língua oficial de Portugal, a par do português e do mirandês, falado na região de Miranda do Douro e ainda em algumas aldeias do concelho de Vimioso."
Sugestões/contributos – prazo de apresentação
As sugestões e contributos dos interessados devem ser enviados preferencialmente para o email cmb.dasc@cm-barrancos.pt, colocando no assunto “LINGUA BARRANQUENHA - CONTRIBUTOS OU SUGESTÕES”, até 30/09/2025
Com alternativa, pode ser utilizado o correio normal, enviado para:
Presidente da Câmara Municipal de Barrancos(Processo - Língua Barranquenha)Praça do Município, 27230-030 BARRANCOS
O II Congresso Internacional do Barranquenho, que decorreu no Centro Interpretativo do Barranquenho(CIBa), nos dias 15 e 16 de julho, terminou com a entrega ao presidente da câmara municipal de Barrancos, Leonel Rodrigues, dos três documentos estruturantes para a língua barranquenha - os projetos de Convenção Ortográfica, de Dicionário e de Gramática Básica da Língua Barranquenha.
Os documentos, que foram sendo elaborados pela equipa científica do projeto ao longo de dezenas de reuniões, formais ou informais, com a participação da comunidade local, deverão agora ser submetidos a apreciação pública para divulgação e recolha de contributos. De acordo com a equipa científica, a convenção, que codifica as regras que governam a escrita de uma língua, estabelecendo como as palavras devem ser grafadas para garantir a uniformidade e a compreensão entre os falantes, é um documento dinâmico que provavelmente suscitará dúvidas que serão sempre atendíveis, mas que urge promover e concluir para salvaguarda e proteção da língua barranquenha. O barranquenho, como sabemos, é uma língua de tradição oral, e a sua codificação poderá ser polémica porque envolve sentimentos e mexe com sensibilidades pessoais, que deverão ser atendíveis e explicadas.
Para a continuidade e preservação da Língua, foram analisados e propostos diversos instrumentos e ferramentas, sendo que a sua "entrada" na escola, a exemplo do que sucedeu com o mirandês, e até com o minderico, constitui uma prioridade das entidades locais com competências na área, o Município e o agrupamento escolar. A importância da criação de uma associação da Língua e Cultura Barranquenha, liderada ou participada pelo Município, para defesa do património cultural, nas suas dimensões materiais e imateriais, regulada pelo artigo 10.º da Lei nº 107/2001, de 8/9, também mereceu destaques e recomendações, podendo ou não incluir "conselhos científicos".
Durante os dois dias do congresso, passaram pelo CIBa dezenas de investigadores, especialistas e académicos, convidados pela equipa cientifica, que aqui apresentaram e discutiram os seus estudos sobre a importancia e o estado da língua da comunidade Barranquenha. Entre os especialistas, Maria Vitória Navas, da Universidade Complutense de Madrid, Filomena Gonçalves e Vitor Correia, da Universidade de Évora; Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (ex-diretora regional de Cultura); Xosé Afonso Alvares, da Univerdidad de Alcalá (projeto Frontespo), Filipe Themudo Barata, aposentado da Universidade de Évora, antigo titular da Cátedra UNESCO; Alcides Meirinho, da Associacion de Lhengua i Cultura Mirandesa; Alberto Gomes Bautista, da Universidade de Aveiro, Frontespo; Ignácio Lopes Abesturi, da Univeridad de Granada; Cláudia Elena Menendez, da Universidad de Oviedo; Jose Enrique Gargallo Gil, da Universidad de Barcelona; e Vera Ferreira, CIDLES, Frontespo.
O congresso, uma organização conjunta da CMB/UEvora, que foi coordenado a nível municipal pela vice-presidente da CMB, Cláudia Costa, contou com o apoio técnico e logístico da equipa da UASC/Museu, composta por Lídia Segão, arqueóloga; Antónia Oliveira, técnica de conservação e restauro; e Ana Ramos, auxiliar, integrada em projeto sociocultural, às quais aqui agradeço publicamente a sua labuta, dedicação e profissionalismo, divulgando este público louvor merecido.
(Para mais informação e fotos sobre o congresso, consultar as redes sociais, com destaque para CMB; Domingas Segão; e Jacinto Saramago)
Depois do sucesso da I Congresso Internacional, de 2017, o Município de Barrancos promove o II Congresso Internacional, sob o tema "O Barranquenho, ponte entre línguas e culturas", que vai decorrer nos dias 15 e 16 de julho, no CIBa.
Para celebrar o Dia Europeu das Línguas, que decorre amanhã, dia 23 de setembro, os alunos de seis escolas da raia - Barrancos, de Caminha, de Tui, de Miranda do Douro, de Valverde del Freso e de Ayamonte - vão estar em rede para a leitura do "Principezinho", na línguas locais, às 11h35.
A leitura, está integrada no Seminário em linha «As línguas da raia», que começa às 10h00 (online), na qual participa o professor Vitor Correia, da escola secundária de Beja, mestrando e investigador do barranquenho.
Jairo J. García Sánchez, da Universidad de Alcalá (Madrid), esteve presente no XXX Congreso Internacional de Lingüística y Filología Románicas, que decorreu na Universidad de la Laguna (Canarias) onde apresentou a conferência "Análisis toponímico de un territorio fronterizo iberorrománico: Encinasola junto a Barrancos y el barranqueño", no passado dia 6 de julho.
Jairo Sanchez, é professor titular na Universidad de Alcalá, especialista em toponímia e onomástica hispânicas, colaborador do Frontespo.
Foi hoje publicada a Lei nº 97/2021, que "reconhece e estabelece medidas para a proteção, promoção e valorização do Barranquenho e da sua identidade cultural", que entra em vigor a 30/01/2022, mas fica pendente de regulamentação. Que tem de ser aprovada até 30/07/2022!
Falta, agora, proceder à sua normalização linguística para que possamos e'hcrebê cômo falãm'u.
A Câmara de Barrancos quer criar um centro interpretativo para dar a conhecer o barranquenho e promover investigação relacionada com a sua língua, revelou ontem à agência Lusa, o autarca Leonel Rodrigues.
A "Casa do Barranquenho" vai nascer no edifício do antigo centro de saúde da vila, situado ao lado do Museu Municipal de Arqueologia e Etnografia de Barrancos.
No âmbito da discussão em sede de Comissão Parlamentar, o PS e o PCP apresentaram uma proposta de texto de fusão comum relativo aos "projeto de lei n.º 708/XVI (2.ª)", do PS e do " projeto de lei n.º 800/XIV/2.ª". (PCP).
A proposta de texto de fusão, que agora substitui os dois anteriores projetos lei do PS e do PCP, é o seguinte:
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| Foto: torre do Relógio, Barrancos (Foto: eB, 05-11-2021) |
O PSD apresentou, no âmbito da apreciação na especialidade, uma proposta de alteração aos projetos de lei nº 708/XIV(2ª) do PS, para "Proteção e valorização do Barranquenho" e nº 800/XIV (2ª) do PCP, para "Reconhecimento e proteção do barranquenho e da sua identidade cultural". aprovados na generalidade no passado dia 16 de setembro.
A proposta de alteração apresentada pelo PSD, dando uma nova redação ao artigo 6º, visa a clarificação da norma, prevendo os instrumentos para a sua valorização, divulgação e reconhecimento, bem como a indicação dos prazos e das entidades responsáveis envolvidas, sem referir a fonte de financiamento.
A alteração proposta pelo PSD corrige e melhora os projetos do PS e do PCP, aprovados. Contudo, para concretização do processo legislativo, parece-nos que a comissão parlamentar onde este assunto está em discussão, deve promover a audição da principal entidade interessada, a Câmara Municipal de Barrancos, que representa a Comunidade de Falantes do Barranquenho, que ainda não terá sido ouvida.
Recorde-se que, dos dois projetos de lei sobre o barranquenho, nesta data em fase de apreciação na Comissão de Cultura e Comunicação, com as alterações apresentadas pelos partidos, sairá um projeto de lei único para depois "subir" a votação final global pelo Parlamento, em data ainda a agendar.
A Assembleia da República aprovou ontem, por unanimidade, os projetos de lei do PS para "Proteção e valorização do Barranquenho" e do PCP para "Reconhecimento e proteção do barranquenho e da sua identidade cultural".
Durante o debate já tinha ficado
claro que todos os partidos faziam tenções de acompanhar os projetos, tendo
concordado com a necessidade de reconhecer, como língua oficial, e proteger
como manifestação cultural imaterial identitária, o barranquenho, "falar típico" do concelho raiano de Barrancos, no distrito de Beja, que cruza português e
espanhol.
Por isso, os diplomas defendem que
o barranquenho seja ensinado na escola, estudado e investigado.
O deputado do PS, Pedro Carmo,
primeiro subscritor do documento, advoga a necessidade de espaço para a
diversidade dentro da homogeneidade linguística do país, defendendo o
"património linguístico enquanto traço identitário do património imaterial
das populações".
O deputado comunista João Dias, explicou que o projeto do PCP se diferencia do do PS por introduzir o reconhecimento da
sua identidade cultural, dos hábitos e costumes do povo, as tradições, a
gastronomia e a sua memória.
Para o PCP, além de reconhecer o barranquenho,
é necessário reconhecer as dificuldades por que Barrancos passa: "Está
distante fisicamente, mas económica e socialmente está muito mais distante pela
postura dos sucessivos governos que mantêm um esquecimento e abandono de
Barrancos", pelo que é imprescindível investir em Barrancos, na saúde, na
educação, nas acessibilidades, nos transportes.
Segundo os deputados, "o barranquenho é o resultado do contacto entre o português com sotaque alentejano e o espanhol nas variedades andaluza e extremenha, estando a sua origem ligada aos assentamentos de súbditos do reino de Castela na Idade Média à volta do Castelo de Noudar, em Barrancos".
Os dois diplomas, que foram discutidos ontem, em sessão plenária, baixam agora à 12.º comissão (cultura e comunicação).
A Assembleia da República agendou para o próximo dia 15 de setembro, quarta-feira, pelas 15h00. o debate e votação conjunta na generalidade, do Projeto de Lei nº 708/XIV, sobre "Proteção e Valorização do Barranquenho" do PS, e o Projeto de Lei nº 800/XIV/2ª, sobre Reconhecimento e proteção do Barranquenho e da sua identidade cultural, do PCP.
Depois do debate e da votação, os dois projetos "descem" à comissão, onde serão fundidos e votados na especialidade, regressando outra vez ao plenário para votação geral final, em data a marcar.
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| Vista geral de Barrancos, 2015 (Foto: JS) |