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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

O barranquenho já'tá prutegidu por lei hôji publicáda

Foi hoje publicada a Lei nº 97/2021, que "reconhece e estabelece medidas para a proteção, promoção e valorização do Barranquenho e da sua identidade cultural", que entra em vigor a 30/01/2022, mas fica pendente de regulamentação. Que tem de ser aprovada até 30/07/2022!

Falta, agora, proceder à sua normalização linguística para que possamos e'hcrebê cômo falãm'u.

placas toponímicas
(Fonte: Arquivo eB, 2017)

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

PCP e PS apresentam em conjunto texto de fusão comum dos projetos de lei de "reconhecimento do barranquenho"

No âmbito da discussão em sede de Comissão Parlamentar, o PS e o PCP apresentaram uma proposta de texto de fusão comum relativo aos "projeto de lei n.º 708/XVI (2.ª)", do PS e do " projeto de lei n.º 800/XIV/2.ª". (PCP).

A proposta de texto de fusão, que agora substitui os dois anteriores projetos lei do PS e do PCP, é o seguinte:

Recorde-se os projetos de Proteção e valorização do Barranquenho - e  Reconhecimento e proteção do Barranquenho e da sua identidade cultural, aprovado, por unanimidade, no passado dia 17 de setembro, encontrando-se em fase de audição e recolha de pareceres, em sede de Comissão Parlamentar, que vai preparar o texto final do projeto de lei.

Entretanto, entre os vários contributos recebidos que se congratulam com a proposta, veio a Academia das Ciências de Lisboa, dizer que "não parece cientificamente corroborável a iniciativa legislativa para a recuperação do uso do Barranquenho, mesmo ainda no quadro marginal de uma funcionalidade linguística bilingue".

Foto: torre do Relógio, Barrancos
(Foto: eB, 05-11-2021)

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Proteção e valorização do barranquenho e da sua identidade cultural - com proposta de alteração do PSD

O PSD apresentou, no âmbito da apreciação na especialidade, uma proposta de alteração aos  projetos de lei nº 708/XIV(2ª) do PS, para "Proteção e valorização do Barranquenho" e nº 800/XIV (2ª) do PCP,  para "Reconhecimento e proteção do barranquenho e da sua identidade cultural". aprovados na generalidade no passado dia 16 de setembro. 

A proposta de alteração apresentada pelo PSD, dando uma nova redação ao artigo 6º, visa a clarificação da norma, prevendo os instrumentos para a sua valorização, divulgação e reconhecimento, bem como a indicação dos prazos e das entidades responsáveis envolvidas, sem referir a fonte de financiamento.

A alteração proposta pelo PSD corrige e melhora os projetos do PS e do PCP, aprovados. Contudo, para concretização do processo legislativo, parece-nos que a comissão parlamentar onde este assunto está em discussão, deve promover a audição da principal entidade interessada, a Câmara Municipal de Barrancos, que representa a Comunidade de Falantes do Barranquenho, que ainda não terá sido ouvida.

Recorde-se que, dos dois projetos de lei sobre o barranquenho, nesta data em fase de apreciação na Comissão de Cultura e Comunicação, com as alterações apresentadas pelos partidos, sairá um projeto de lei único para depois "subir" a votação final global pelo Parlamento, em data ainda a agendar. 

proposta de alteração do PSD

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Parlamento aprovou por unanimidade a "proteção e valorização do barranquenho e da sua identidade cultural"

A Assembleia da República aprovou ontem, por unanimidade, os projetos de lei do PS para "Proteção e valorização do Barranquenho" e do PCP para "Reconhecimento e proteção do barranquenho e da sua identidade cultural". 

Durante o debate já tinha ficado claro que todos os partidos faziam tenções de acompanhar os projetos, tendo concordado com a necessidade de reconhecer, como língua oficial, e proteger como manifestação cultural imaterial identitária, o barranquenho, "falar típico" do concelho raiano de Barrancos, no distrito de Beja, que cruza português e espanhol.

Por isso, os diplomas defendem que o barranquenho seja ensinado na escola, estudado e investigado.

O deputado do PS, Pedro Carmo, primeiro subscritor do documento, advoga a necessidade de espaço para a diversidade dentro da homogeneidade linguística do país, defendendo o "património linguístico enquanto traço identitário do património imaterial das populações".

O deputado comunista João Dias, explicou que o projeto do PCP se diferencia do do PS por introduzir o reconhecimento da sua identidade cultural, dos hábitos e costumes do povo, as tradições, a gastronomia e a sua memória.

Para o PCP, além de reconhecer o barranquenho, é necessário reconhecer as dificuldades por que Barrancos passa: "Está distante fisicamente, mas económica e socialmente está muito mais distante pela postura dos sucessivos governos que mantêm um esquecimento e abandono de Barrancos", pelo que é imprescindível investir em Barrancos, na saúde, na educação, nas acessibilidades, nos transportes.

Segundo os deputados, "o barranquenho é o resultado do contacto entre o português com sotaque alentejano e o espanhol nas variedades andaluza e extremenha, estando a sua origem ligada aos assentamentos de súbditos do reino de Castela na Idade Média à volta do Castelo de Noudar, em Barrancos".

Os dois diplomas, que foram discutidos ontem,  em sessão plenária, baixam agora à 12.º comissão (cultura e comunicação).

Torre do Relógio, no centro da Vila de Barrancos
(Foto: eB, 23-08-2021)

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Parlamentu dihcuti hoji uhs prujéthus de Lei sobri "prutegê e valorizáhr o Barranquenho e a sua identidadi culturá"

Uhs deputádus dihscutem hôji na generalidádi, pelahs trè da tárdi, uhs prujéthus de Lei que tenhêim como finalidadi "prutegê e valorizáhr o Barranquenho e a sua identidadi culturá", apresentadus pel'us grupus parlamantaris do PS e du PCP.

Cásu sejãum apruvádus, ou a pedidu duhs sehus propunentis, uhs prujethus "báxãm" a cumissãu, ondi serãu fundidhus num só prujéthu de Lei, que depohis "subirá" ôtra vehs au plenáriu para votassão gerál finál.*

tradução em língua portuguesa:
Os deputados debatem hoje, na generalidade, com início às 15h00, os projetos de Lei que visam "proteger e valorizar o Barranquenho e a sua identidade cultural", apresentados pelos grupos parlamentares do PS e do PCP.

Em caso de aprovação, ou a requerimento dos seus proponentes, os projetos "baixam" à comissão, onde serão objeto de fusão num único projeto de lei, que depois terá de "subir" novamente a plenário para votação geral final.
Há muitos responsáveis por este processo, que vai longo e não termina neste debate parlamentar, mas estes três o "apanharam pelos cornos", Vitória Navas, Vitor Correia e Filomena Gonçalves, da comissão científica do congresso sobre o barranquenho, promovido em 02/06/2017 pela CMB, através da UASC, com o apoio cientifico do CIDEHUS/da Universidade de Évora
(Fotos: eB, 02-06-2017)
* escrito "no" barranquenho do escriba do eB

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Arca do Gosto - que produtos barranquenhos poderão embarcar?

Que produtos barranquenhos ou produzidos por cá poderíamos embarcar na Arca do Gosto, para preservar e continuar a provar daqui a uns anos?
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O queijo de cabra, que compramos às escondidas, como se o vendedor fosse um criminoso! E o almêce, ainda há por cá?
O mel, que ainda conseguimos encontrar em Barrancos fruto da teimosia e tenacidade de um ou dois apicultores!
O água-mel, este praticamente desaparecido, ainda se consegue provar em Barrancos?
As azeitonas, machacadas ou retalhadas, gordais ou manzanilhas, também poderão embarcar, se ainda conseguir-mos encontrar alguém que as prepare!
O mondongo ou mocilhas de lustre, já desaparecidos ou quase (?!), mas que em Encinasola ainda domina, podendo também ser encontrado como tapa, acompanhando um copo de vinho ao balcão de qualquer bar?! 
As perronilhas, as madalenas ou as lauras, doces tradicionais que estão quase desaparecidos?
O guizo de grãos ou de feijão?
Os “nossos” eshpárragos? Os cogumelos?
As sopas de acelgas bravas, de berraças ou de beldoregas?
A sopa de batata, com poejos e ovos (há quem acrescente bacalhau)?
As nossas migas e açordas?
As morcilhas, sem esquecer os chôriços, o catalão (para assar) e outros enchidos?
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A Arca do Gosto é um catálogo de produtos em risco de desaparecer, que fazem parte da cultura e das tradições do mundo inteiro.
Na Arca embarcam espécies vegetais e animais, mas também produtos processados, os quais, tal como a diversidade vegetal e animal, estão em vias de extinção, como queijos, carnes curadas, pães e doces, expressão de saberes rurais e artesanais não escritos, mas complexos, sendo o fruto de competências e práticas que se transmitem há gerações.
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A Arca foi criada para chamar a atenção para estes produtos, denunciar o seu risco de extinção, convidar todos a agir para preservá-los: buscá-los, comprá-los, comê-los, apresentá-los, apoiar os produtores e, em alguns casos (quando os produtos são espécies selvagens em risco de extinção), promover a sua conservação e reprodução.
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Atualmente estão catalogados cerca de 1000 produtos, dos quais sete são portugueses: o feijão Tarrestre, a broa de milho de Rio Frio e a laranja de Ermelo, todos de Arcos de Valdevez, a alheira de Mirandela, o queijo de Serpa, a batata-doce de Aljezur e a flor-de-sal de Castro Marim.
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O Slow Food Alentejo irá estar presente no Salone del Gusto & Terra Madre 2014, que vai decorrer em Turim, Itália, entre 22 e 28 de Outubro, onde irão ser apresentados os "novos" produtos em risco de descaraterização e /ou desaparecimento.

Imagem e informação: Daqui
Ficha de candidatura (Arca do Gosto)