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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Um pouco da "língua barranquenha" (para principiantes e especialistas)

Para quem acompanha a temática do estudo do dialecto ou da língua barranquenha, muita antes da sua classificação como "Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal", em 25/06/2008, aqui ficam mais uns "bocadinhos" de contributos da Maria Vitoria Navas (Universidad Complutense de Madrid), da Maria Filomena Gonçalves (Universidade Évora)  e outros, que também se pode encontrar livremente na net:

Navas Sánchez-Élez, María Victoria (2019): “El barranqueño, lengua amenazada y minoritaria”, em Lourdes de Castro Coutinho, Rosa Lídia Coimbra, Elisa Fernández Rei, Xulio Sousa e Alberto Gómez Bautista (coords.), Estudos em variação linguística nas línguas românicas. Universidade de Aveiro: UA Editora, pp. 76-95. E-book:  https://ria.ua.pt/bitstream/10773/26311/1/2019_VL.pdf [consulta 26/07/2019].
Navas Sánchez-Élez, María Victoria e Maria Filomena Gonçalves (2018): “La codificación de una lengua oral: problemas e hipótesis”, em Roberto Antonelli, Martin Glessgen, Paul Videsott (eds.), Atti del XXVIII Congresso internazionale di lingüística e filologia romanza (Roma, 18-23 Iuglio 2016. Volume 2. Sezione 12. Lingue e letterature comparata, di frontera e dei migrantiSociété de Linguistique Romane. Strasbourg, pp. 1427-1438. Também disponível em Navas Sanchez-Elez_Goncalves_1427-1438_cilfr 2016_sez12.pdf [consulta 17/09/2018].
Navas Sánchez-Élez, María Victoria e  Maria Filomena Gonçalves (2020): Caracterização e problemas atuais do barranquenho: contribuições para uma política de revitalização”, Também disponível em Revista de Estudos de Lingüística Galega, 12, pp. 179-199, em  https://revistas.usc.gal/index.php/elg/issue/current
(Fonte: As 10 línguas de Portugal, 2015)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dialecto Barranquenho: Classificado como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal

A assembleia municipal de Barrancos aprovou ontem, dia 24, a classificação do Dialecto Barranquenho como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal.
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De acordo com a decisão municipal “o reconhecimento da especificidade linguística do Barranquenho e a sua classificação como Património Cultural Imaterial permitirá sensibilizar a própria comunidade e promover uma expressão oral que, em poucas gerações corre o risco de não sobreviver à padronização inerente à escolarização e ao envelhecimento da população.”
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Para além da classificação como Património Cultural Imaterial o Município de Barrancos aprovou um plano que tem como finalidade a valorizar a função do nosso dialecto, a criação da Comissão de Estudo e de Valorização do Dialecto Barranquenho e de um Centro de Documentação e de Estudo do Dialecto Barranquenho, bem como “incentivar o ensino e a aprendizagem do Barranquenho junto da comunidade escolar de Barrancos, em especial no ensino básico”;
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Finalmente, constitui intenção do município, “proporcionar as condições tendentes à classificação do Dialecto Barranquenho como Património Cultural Imaterial da Humanidade, logo depois da sua classificação Nacional.”
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Notas:
Dois lamentos e uma declaração de interesses:
1º Lamento: A decisão municipal, ainda que por unanimidade, foi “frouxa”, faltou alma, deveria, na minha modesta opinião, ter sido por “unanimidade e aclamação”, por constituir um momento histórico.
2º Lamento: Por ignorância, desconhecimento ou desinteresse, a reunião da assembleia municipal, como é costume, não tinha público. O assunto de ontem, merecia-o! Foi pena.
Declaração de interesses: Assisti aos trabalhos da assembleia municipal, no espaço reservado ao público, na qualidade de dirigente do município.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

2008: o ano do dialecto barranquenho

O barranquenho é um dialecto diariamente falado por cerca de duas mil pessoas, em Barrancos, e outras tantas espalhadas pelo país e pelo mundo.
A preservação do dialecto obriga, na minha opinião, à codificação do seu léxico, da morfologia das palavras, da sua ortografia, etc.… Para que isto seja possível será necessário dinamizar um grupo de estudo constituído por especialistas em vários domínios, linguistas, historiadores, sociólogos, professores…
Numa perspectiva de preservação do barranquenho e de conhecimento de outras realidades semelhantes, será interessante a realização de um colóquio internacional no qual estejam presentes, entre outros, os representantes de outras línguas ou dialectos minoritários na península ibérica, tais como o mirandês (2º língua oficial de Portugal), a fala (de Cedilho, Extremadura espanhola), entre outras.
2008 será o ano do dialecto barranquenho.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Caracterização sócio-cultural do dialecto barranquenho

Em Barrancos fala-se o barranquenho!
“O dialecto barranquenho, falado em Barrancos é uma variedade do português meridional (o alentejano) com fortes traços das variedades meridionais espanholas (andaluzas e estremenhas).
A origem desta fala provavelmente esteja relacionada com os assentamentos na Idade Média em torno ao Castelo de Noudar, de súbditos do reino de Castela, em terras hoje portuguesas. A pervivência desta fala mista talvez se deva ao contínuo contacto mantido entre a vila de Barrancos e as populações vizinhas espanholas – Encinasola, Fregenal de la Sierra, Higuera la Real e Oliva, entre outras -, no que diz respeito as relações de tipo social, cultural e económico, e ao isolamento que o município tem sofrido ao longo dos séculos.
Em Barrancos é possível ouvir três sistemas linguísticos diferentes: o português – variedade alentejana; o espanhol – variedade andaluza ou extremenha; e o barranquenho propriamente dito. O português é a língua dos ofícios religiosos e dos contactos formais entre pessoais instruidas. A presença ou ausência dos traços que conformam a fala barranquenha, maioritária na Vila, estão relacionados com o grau de conhecimento do português standard. Porém, a fala espanhola é utilizada principalmente entre pessoas da primeira e da segunda geração e também na literatura oral tradicional (canções dos “quintos”).”
In Maria Vitória Navas, Prof. Universidade Complutense, Madrid.
(Adaptado da Agenda 21 Local de Barrancos, 2006)