segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Câmara de Barrancos e Universidade de Évora assinam protocolo de colaboração

Aproveitando a realização da Jornada de Falares Fronteiriços, que decorreu no dia 21 de Fevereiro de 2008, o Presidente da Camara de Barrancos e a Vice-Reitora da Universidade de Évora, assinam protocolo de cooperação.
O protocolo de cooperação assinado entre as instituições tem como objectivo a participação conjunta em projectos de investigação, em actividades nos domínios do ensino e da formação, na prestação de serviços à comunidade e na utilização de equipamentos e espaços.
Nas Jornadas de Falares Fronteiriços, participaram em representação de Barrancos e do nosso dilecto local, o presidente da câmara de Barrancos e a sua vereadora da cultura, a Prof. Maria Vitória Navas, da Universidade Complutense de Madrid, a tia Remédios Maruja e a tia Xica Maruja, que deliciaram a assistência com a sua alegria e picardia contagiantes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A "morte" da HAmigo - Fusão com a ABpD

Ontem foi um dia triste!
Assisti e participei na morte de uma entidade que tinha ajudado a nascer.
Num misto de tristeza e expectativas, aprovamos a proposta de fusão da Associação HAmigo com a Associação Barranquenha para o Desenvolvimento (ABpD). Uma IPSS fundida com uma ADL.
Oficialmente não foi uma “morte”. Foi uma “adopção”!
Para mais esclarecimentos consultar:

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Subsídios para a História de Barrancos - autarcas locais (1950-1974)

Como subsídios para a história política de Barrancos, publica-se a listagem dos membros da câmara municipal de Barrancos, entre 1950 e 1974, apresentada em Junho de 2002 no âmbito de um Colóquio sobre "Barrancos - Modelo de Desenvolvimento", promovido pela ABpD:
1º Período: De 1950-1958:
Presidente - José Augusto Garcia Fialho
Vice-presidente - André Fialho Marques
Vereador - António Gomes Mira
2º Período: de 1958-1965:
Presidente - José Augusto Garcia Fialho
Vice-presidente - Emílio Domingues Pinto
Vereador António Gomes Mira
Vereador - António Carmo Barradas
3º Período: de 1965 - 1967:
Presidente - Carlos Garcia Fialho
Vice-presidente - Mário Francisco Fernandes Escoval
Vereador - António Gomes Mira
4º Período: 1968 - 1970:
Presidente - Carlos Garcia Fialho
Vice-presidente - Mário Francisco Fernandes Escoval
Vereador - Manuel Alves Júnior
Vereador - Manuel Valério Gaspar
5º Período: 1971
Presidente - Carlos Garcia Fialho
Vereador - Manuel Alves Júnior
Vereador - José Ramos Cavaco
6º Período: 1972
Presidente - Carlos Garcia Fialho
Vereador - Manuel Fernandes Fretes
Vereador - Francisco José Comprido Coco
7º Período: de 21/12/1972 a 09/07/1974
Presidente - José Augusto Lopes Fialho
Vereador - Manuel Fernandes Fretes
Vereador - Félix Caeiro Mira
Vereador - Francisco José Comprido Coco
Notas:
- Fonte: Livro de Actas da CMB. Maio de 2002.
- Nesta época os mandatos não tinham duração regular definida.
- Na CMB houve longos períodos, em especial entre 1950/57 em 1965/70, em que a presidência era exercida de facto pelo vice-presidente ou por um dos vereadores. Há registos de longas ausências do presidente, sem qualquer justificação.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A galeria dos presidentes

Há uns anos atrás numa conversa de amigos (espero não ser inconveniente) alguém me confidenciava: “… gostaria de ter aqui (no Salão Nobre) as fotografias daqueles que me precederam…” e rematou dizendo, “… mas não me parece bem ser eu a tomar a iniciativa…”.
Durante algum tempo andei a remoer no assunto, tendo inclusive elaborado a proposta nesse sentido, que não cheguei a apresentar. Foi pena!
Estava convencido, na altura, tal como hoje, da justeza da proposta. As competências funcionais não correspondiam a tamanho desafio.
Passado alguns anos, volto ao tema e, desta vez, talvez não hesite: Barrancos tem História e da história também fazem parte os que - designados (até ao 25 de Abril) ou eleitos (a partir dessa data) – desempenharam o cargo de presidente da câmara municipal…
A Galeria dos Presidentes da CM a colocar no Salão Nobre dos Paços do Município é uma iniciativa simbólica que urge concretizar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A municipalização da educação?

O governo apresentou à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) o projecto de decreto-lei com o qual serão transferidas para os municípios as competências em matéria de educação nas seguintes áreas:
• Pessoal não docente do ensino básico e da educação pré-escolar;
• Componente de apoio à família, designadamente o fornecimento de refeições e apoio ao prolongamento de horário na educação pré -escolar;
• Actividades de enriquecimento curricular no 1.º ciclo do ensino básico;
• Gestão do parque escolar nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico;
• Acção social escolar nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico;
• Transportes escolares relativos ao 3.º ciclo do ensino básico;
A transferência de competências depende da existência de carta educativa homologada pelo Governo e da celebração de contratos de execução, nos termos do presente diploma.
Os municípios, através das suas câmaras municipais, passam a exercer as competências relativas ao pessoal não docente do ensino básico e d educação pré-escolar, nas seguintes matérias, designadamente:
• Recrutamento;
• Afectação e colocação do pessoal;
• Gestão de carreiras e remunerações;
• Poder disciplinar.
Com este “pacote” de transferência de responsabilidades para os municípios, termina um processo que foi iniciado em 1982 com a transferência de competências em matéria de acção social e transporte escolar do 1º ciclo do ensino básico.
É intenção do governo, certamente aceite pela ANMP, que estas transferências se concretizem até início do próximo ano lectivo, em Setembro. Até lá, há muito trabalho a fazer entre as câmaras municipais e os respectivos estabelecimentos de ensino abrangidos.
Esperamos que as transferências de competências sejam acompanhadas das respectivas contrapartida financeiras.
Num País sem estruturas político-administrativas intermédias entre o Estado e os Municípios, iremos caminhando para a municipalização da educação?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Rede Nacional de Ambulâncias

Seguindo as instruções do ministro da Saúde o INEM vai definir qual o papel dos vários intervenientes nas operações de socorro e irá ser criada uma Rede Nacional de Ambulâncias!
Mas afinal, pergunto eu, as ambulâncias dos bombeiros estavam integradas no que?
Desmantelado o SNS e a rede de SAP do interior do País, que sempre evitavam o entupimento das urgências hospitalares, vai agora o governo "recriar" o que já existe há dezenas de anos!
Felizmente, Barrancos está rodeado de Espanha por todos os lados menos por um.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Crise do associativismo em Barrancos

A IPSS Horizonte Amigo, que não conseguiu eleger os seus órgãos sociais para o triénio 2008-2010, resolveu fundir-se com a Associação Barranquenha para o Desenvolvimento (ABpD).
A assembleia geral que vai apreciar e votar a proposta apresentada pela sua direcção, está marcada para o dia 13 de Fevereiro de 2008, às 15h30 horas.
A pouca disponibilidade dos associados para garantir a continuidade da associação ficou patente na última assembleia geral, onde não foi apresentada qualquer lista para eleição.
Em Barrancos, com uma população não superioir a 2 mil habitantes, existem 22 entidades associativas, muitas delas com o mesmo objecto social e área de intervenção.
Estou convencido que este processo de fusão da HAmigo com a ABpD, a concretizar-se, poderia servir de exemplo para a reorganização de outras associações locais, com o mesmo fim, em especial na área do desporto, recreio e lazer(ex: futebol, caça, pesca, etc.). A fusão de mais entidades associativas de Barrancos seria uma forma de racionalização dos recursos, materiais, financeiros e humanos e um serviço à população.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Barrancos, Capital do Presunto

Barrancos, Capital do Presunto.

Assim começa o prospecto publicitário do operador turístico Terra Nostra, que pretende trazer até Barrancos cerca de 500 excursionistas por mês.

Na primeira viagem, sábado, dia 19 de Janeiro, foram 49 as pessoas inscritas que visitaram Barrancos. No domingo, dia 20, participaram 47.

De acordo com o operador, as visitas têm início em Noudar com passeio pelo Parque de Noudar. O almoço, pelo menos este sábado e domingo, foi servido num restaurante de Encinasola (!). O passeio continuou com visita ao Museu e ao Posto de Turismo, uma degustação de enchidos na Casa do Porto Preto e um passeio livre pelos principais pontos de interesse turístico da Vila.

Para o Terra Nostra, que pretende trazer até Barrancos mais de 2000 pessoas até finais de Março de 2008, estas excursões serão uma excelente oportunidade para mostrar o rico e vasto património cultural nossa terra. Assim, o saibamos aproveitar!

sábado, 19 de janeiro de 2008

As pensões e as casas de hóspedes

Com a nova lei dos empreendimentos turísticos são extintas as pensões e Casas de Hóspedes, que passam a ser designadas de Alojamento Local.
Barrancos possui um Hotel (Agarrocha ***), duas Casas de Hóspedes (Boavista, na Rua da Boavista, nº 12 e Monte da Coitadinha no Parque de Noudar), um TER (Casa de Campo Monte das Tapadas, na Courela do Seixo Branco) e duas pensões (Emílio, na Rua S. João de Deus, nº 1 e Vitoriano na Rua da Sentinela, 4).
A reclassificação das categorias extintas para as novas tipologias implica a observância de novos requisitos físicos, relativos às infra-estruturas, higiene e segurança, e quantitativos, referentes ao serviço prestado. Um desafio para os nossos empresários locais e para a câmara municipal, entidade licenciadora e fiscalizadora.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Câmara Municipal – o princípio do fim.

PSD e PS coligaram-se para apresentação de uma alteração à lei eleitoral para as autarquias locais.
Modo de eleição:
Com este modelo, nas próximas eleições autárquicas os eleitores votarão apenas numa lista para a assembleia municipal, e a cabeça da lista mais votada será automaticamente o presidente da câmara municipal. Até agora, os eleitores votavam para dois órgãos: para a assembleia municipal (órgão deliberativo) e para a câmara municipal (órgão executivo).
Composição do executivo (câmara municipal):
O presidente é o cabeça da lista mais votada para a assembleia municipal e os vereadores são escolhidos por este de entre os eleitos para a assembleia municipal.
Maiorias:
Mesmo que não obtenha maioria absoluta, a força política mais votada terá sempre garantido a maioria dos mandatos da vereação.
Substituição dos vereadores:
Com o novo modelo o presidente da câmara pode, por sua iniciativa, substituir (despedir) parcial ou totalmente a sua equipa de vereadores durante o mandato, colocando no seu lugar outros vindos directamente dos eleitos da assembleia municipal.
Antes os vereadores eram inamovíveis, não podiam ser substituídos, salvo a pedido dos próprios e a sua substituição era feita seguindo a ordem de colocação dos candidatos na lista eleita para a câmara municipal.
Se esta proposta de lei for aprovada tal como foi apresentada, a partir do próximo mandato – Outubro de 2009 –, vamos assistir à presidencialização do poder local. No fundo, cá para nós que ninguém nos ouve e lê, é dar forma de júris a uma situação de facto?
Até já.

sábado, 12 de janeiro de 2008

A excepção de Barrancos

Enquanto encerram maternidades e urgências hospitalares por todo o País…
Barrancos abre um Centro de Reabilitação Física (Centro de Fisioterapia) cuja área de intervenção abrange os municípios confinantes de Moura, Mourão e Serpa e … Espanha!
Enquanto os barranquenhos vão ao médico a Encinasola (Espanha), localidade vizinha com a mesma população (cerca de 2 mil habitantes) cujo Centro de Saúde funciona 24 horas/dia, os marochos e outros espanhóis passam a vir a Barrancos fazer fisioterapia. Tudo legal!.
Cuidado! Isto é segredo, não divulguem! Se o ministro Correia de Campos souber, manda encerrar…

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Regulamento do Trânsito da Vila de Barrancos

A Câmara Municipal de Barrancos colocou a apreciação pública o projecto de Regulamento do Trânsito da Vila de Barrancos.
De acordo com o artigo 1º do projecto, o regulamento "tem por pbjecto o ordenamento da utilização da via pública por peões, veículos motorizados e não motorizados e estabelece as regras a observar pelos utilizadores".
O período de audição pública decorre de 11 de Janeiro a 11 de Fevereiro de 2008.
O projecto de Regulamento pode ser consultado no sítio electrónico do Município de Barrancos (www.cm-barrancos.pt), nos locais do costume da Vila, na sede do Município e da Freguesia de Barrancos, bem como no Diário da República através do link:(http://www.dre.pt/pdf2sdip/2008/01/007000000/0123901241.pdf)
É importante a participação pública dos barranquenhos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Papelaria - jornais e revistas

Mesmo com alguns meses de atraso cá vai a boa notícia:
Abriu em Barrancos, na Rua 1º Dezembro, uma nova loja (papelaria Branquinhos) de venda de jornais, revistas e artigos diversos.
A partir de agora não há desculpas, com duas papelarias vamos ser o maiores leitores de jornais! Espero que não sejam só desportivos!
.
Aditamento em 30/12/2014:
Esta papelaria, mesmo depois de ter tido novo dono, durante cerca de três anos, com a designação comercial de "Tartaruga Verde", encerrou em setembro de 2014.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Gabinete do Movimento - inaugurado o centro de fisioterapia de Barrancos

Foi inaugurado ontem em Barrancos o Gabinete do Movimento, uma obra do Município de Barrancos financiado pela IC-LEADER.
O Gabinete do Movimento, a designação oficial do Centro de Reabilitação Física e Ginásio de Barrancos, vai ser gerido pelo Centro de Saúde de Barrancos, no âmbito de um Protocolo celebrado com a ARS do Alentejo.
No Gabinete do Movimento, para além das pessoas de Barrancos e de outras localidades próximas, poderão vir a ser atendidos os cidadãos de Encinasola (Espanha), numa espécie de contrapartida pelos cuidados de saúde prestado aos barranquenhos no Centro de Saúde dessa localidade.
No Gabinete do Movimento, que entrará em funcionamento brevemente, prestarão serviços uma fisioterapeuta e uma administrativa a recrutar pela CMB, sob a direcção de um/a fisiatra colocado/a, a tempo parcial, pela ARS Alentejo.
O Gabinete do Movimento fica situado na Rua Duque de Cadaval, na cave da antiga escola nº 1.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Actualização das pensões de reforma: mais um comprimido/dia

O Governo, prosseguindo a sua função social e reformadora e embalado pelo espírito Natalício, procedeu a mais uma actualização das pensões de reforma, com efeitos desde o dia 1 de Janeiro de 2008.
A partir dessa data, os pensionistas e reformados passam a receber a exorbitância de:
- € 236,47: valor mínimo das pensões de invalidez e de velhice (mais € 0,54/dia que em 2007!).
- € 181,91: valor mínimo das pensões do regime não contributivo (mais € 0,16/dia que em 2007!!).
em suma, com esta actualização o pensionista que não morrer de fome pode, pelo menos, comprar mais um comprimido por dia…

Lar de Barrancos - obras em fase de financiamento e aprovação

De acordo com o "Boletim Municipal" da CMB (ver imagem), o projecto de construção das novas instalações para o Lar de Barrancos deverá obter financiamento no âmbito do PARES.
Segundo a informação municipal, o novo edifício a implantar no largo do Mercado, vai albergar o Lar de 3ª idade (41 vagas), o Centro de Dia (25 utentes), o SAD (até 75 utentes) e a Creche (20 crianças), que constitui uma valência nova para a nossa Vila.
Boletim Municipal, Dezembro 2007

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Homenagem aos autarcas 2004 - colóquio realizado em junho de 2004

No momento em que cesso funções de presidente da direcção da Associação Barranquenha para o Desenvolvimento (ABpD), aqui ficam, pela sua actualidade, alguns extractos da intervenção proferida na abertura do Colóquio promovido por essa associação em Junho de 2004, no qual foram homenageados os autarcas locais, em especial os antigos titulares do cargo de presidente da câmara municipal de Barrancos.
(…)
A Associação Barranquenha para o Desenvolvimento, é uma associação sem fins lucrativos, criada em Dezembro de 2003, que tem como objecto a promoção do desenvolvimento local e regional integrado, através de iniciativas nos domínios social, cultural, ambiental, cívico, recursos humanos, valorização do património natural e construído e o apoio às actividades produtivas.
(…)
       O presente colóquio, integrado no plano de actividades da associação, subordinado ao tema Barrancos: Modelo de Desenvolvimento Local, tem como objectivo central reunir, pela primeira vez na história de Barrancos, as pessoas que, desde meados da década de 50 do século XX até hoje, exerceram o cargo de presidente da CMB.

       Para um colóquio com estas características foi escolhido o local que simbolicamente representa o centro do Poder de Barrancos e dos barranquenhos, o Salão Nobre dos Paços do Município de Barrancos. Outros locais houve, até porque este edifício, acompanhando a evolução do Poder Local e as transferências de competências que hoje detêm mudou várias vezes, mas contínua a ser o local privilegiado para debater Barrancos e as suas gentes.
Sem qualquer preciosismo histórico convêm aqui, resumidamente, situar a questão do Sistema de Governo Municipal desde o período Estado Novo.
       O Estado Novo, assente no sistema corporativo, veio reforçar a centralização do poder político. O presidente da CM era nomeado pelo governo e os vereadores eleitos pelo Conselho Municipal. Nenhum deles era remunerado pelas funções, que eram desempenhadas a título gracioso, quantas vezes com prejuízo da vida pessoal e profissional dos seus titulares,
       Os Municípios estavam financeiramente dependentes do Estado, pois as suas receitas mal chegavam para pagar as despesas obrigatórias, sendo os investimentos executados os inscritos no plano do Governo. Era o sistema das comparticipações.
       Foi neste contexto jurídico e histórico do municipalismo que surgiu a Revolução de 25de Abril de 1974.

       Nos termos da Constituição da República Portuguesa de Abril de 1976, a organização das autarquias locais, e neste caso dos Municípios, compreende uma assembleia eleita dotadas de poderes deliberativos e um órgão executivo colegial – a câmara municipal –perante ela responsável.
Foi também a partir de 1977, que o Governo reforça as finanças municipais, através das chamadas “verbas livres”, sendo posteriormente aprovada a primeira lei de finanças locais, nos termos da qual são reguladas as comparticipações devidas ou transferidas do Orçamento do Estado, permitido o acesso ao crédito, etc.
(…)
       Neste encontro de autarcas, pretendemos que ao reflectir sobre o desenvolvimento de Barrancos, numa óptica descontraída e de apelo à memória, sejam contadas as experiências pessoais e profissionais dos intervenientes, as suas expectativas, dificuldades, constrangimentos, etc.
Para que isto fosse possível foram convidados os respectivos titulares, ainda vivos, dos quais apenas dois declinaram o convite, sendo aqui substituídos pelos respectivos vice-presidentes ou cargo similar.
       Aquando da aprovação do projecto do colóquio julgávamos que a sua concretização não teria certamente um caminho fácil, podíamos encontrar alguns obstáculos, deparar-nos com interesses, ambições pessoais ou aproveitamentos políticos.
       Felizmente, não foi assim, e como aqui se pode verificar, estão presentes desde o Sr. José Augusto Garcia Fialho, o mais antigo titular do cargo, ainda vivo – foi presidente da CMB de 1951-1965 - até ao actual titular Sr. Nelson Berjano - em funções desde Janeiro de 2002 – passando pelo titular do período da Revolução do 25 de Abril de 1974, que se manteve em funções, sem qualquer obstáculo ou pressão da população local, de 1972 a 9 de Julho 1974.
       Desse período revolucionário, conturbado e de incertezas, não posso deixar de referir um aspecto que para mim marca uma diferença e que denuncia o cansaço dos intervenientes políticos da época com um regime autoritário e fechado ao mundo: no dia 30 de Abril 1974, a CMB, em reunião extraordinária aprovou uma moção de congratulação, apresentada pelo seu presidente – Sr. José Augusto Lopes Fialho, aqui presente, na qual se lia “…ciente da vontade do Povo de Barrancos, perante factos consumados em 25 do corrente mês, propunha que fosse enviado à Junta de Salvação Nacional, um telegrama de incondicional apoio, adesão e colaboração da CMB no movimento de libertação levado a efeito pelas forças armadas”. Terminava a moção “fazendo votos para que a iniciativa tenha um êxito absoluto.”
       No texto da moção está patente a vontade dos membros da câmara municipal - órgão nomeado, à data, pelo Governo – e o sentimento de desencanto com um regime político que, apesar de pressionado pelos principais aliados da Europa e do Mundo, continuava a resistir à sua reforma e no fundo à sua continuidade.
       Em síntese, e glosando aqui um pouco a polémica deste ano relativa às Comemorações Nacionais dos 30 Anos do 25 de Abril de 1974, foi necessário uma Revolução para que se desse uma ruptura de regime e evolução no sistema político que uma grande maioria, à época, já ambicionava e estava à espera desde a Primavera Marcelista.
       Em Barrancos, e contrariamente ao que sucedeu um pouco por todo o País, a transição de regime no âmbito do Sistema de Governo do Município foi pacífica. Não houve invasões da “câmara”, não houve tumultos, não houve pressões. A mudança ocorreu apenas em 9 de Julho de 1974, com a posse da Comissão Administrativa (CA) nomeada pelo Governo Civil do Distrito de Beja, composta de três elementos: o Sr. José Domingos Gomes Escoval, que presidia, e pelos vogais, Srºs António Charrama Lopes, aqui presente, e Clemente Pires Marques.
       Foi esta CA que conduziu os destinos do Município até à posse dos primeiros eleitos locais, que ocorreu em inícios de Janeiro de 1977 e cuja CM passou a ser presidida pelo Sr. Carlos Caçador Durão, aqui presente, tendo como vereadores os Srs. António Semedo Guerra, Sebastião Santos Ramos, António Gomes Mira e António Charrama Lopes, único elemento que transitou da Comissão Administrativa.
       Para poder situar o estado de desenvolvimento deste município, permito-me resumidamente fazer uma breve caracterização de Barrancos, com base nos dados constantes do Diagnóstico Social de Barrancos, recentemente aprovado, apresentando na mesma algumas propostas estruturantes para o desenvolvimento de Barrancos:
       ● Até aos anos 60 do Séc. XX, o solo agrícola permitiu o sustento da população, mas o reflexo de várias condicionantes, quer económicas e até climatéricas contribuíram para essas mudanças e principalmente para o êxodo rural, uma vez que as alternativas existentes eram poucas.
       ● A partir da década de 60 do Séc. XX, o município registou fluxos migratórios significativos para outras regiões do País com maior capacidade empregadora e que necessitavam de mão-de-obra pouco especializada, devido à franca expansão e desenvolvimento da industria, sendo por isso muito apelativa a uma população que enfrentava condições de vida pouco satisfatórias. Foi também entre os anos de 1958-1964 que partiram os primeiros emigrantes com destino a França, depois Alemanha e Suiça. A busca de melhores condições de vida levou-os a abandonar Barrancos; lá ficaram, criaram os filhos e hoje muitos destes conterrâneos já reformados regressam.
       ● Hoje, a estrutura sócio-produtiva do município é marcada pela debilidade do tecido empresarial, dispondo de uma indústria fraca, ligada aos produtos endógenos: extracção de xistos duros, algum mel, azeite e a produção de enchidos e presuntos, estes últimos com potencial de desenvolvimento.
       ● Para atenuar as consequências da pouca ou quase inexistente oferta de trabalho e da consequente elevada taxa de desemprego, os agentes e entidades locais têm promovido algumas formas de «sustento» da população, através dos programas de actividade ocupacional e de cursos de formação profissional que permitem à população a obtenção de algum rendimento, fixando-os em Barrancos, evitando que a população abandone definitivamente esta terra.
       ● Este apego à terra, a Barrancos, é mais forte que a ansiedade que têm em relação ao futuro. Poucos são aqueles que se mostram disponíveis para trabalhar fora da sua terra, mesmo tendo consciência que as perspectivas de quem fica não são as mais desejadas.
       ● Importa, pois, reflectir sobre esta realidade. O desemprego, o isolamento social, a fraca dinâmica económica e os parcos recursos existentes no município poderão estar na origem de uma postura pouco activa por parte da população, para a resolução dos seus problemas sócio-profissionais. Resulta daqui a inexistência de projectos de vida dos jovens, sendo poucos os que têm definido objectivos e metas a atingir e que saibam como o fazer. Este é, talvez, um dos mais graves problemas do município, pois quando a população, principalmente os jovens, não têm expectativas e aspirações em relação ao futuro, não se podem esperar grandes mudanças na comunidade, quer sejam a nível económico quer social.
       ● Barrancos é pois um município onde existem alguns problemas relacionados, essencialmente, com a falta de projectos de desenvolvimento por parte da população, e para os quais as estruturas existentes não têm capacidade de resposta a curto e médio prazo. É nesta perspectiva que faz sentido intervir neste município. Intervenção que, só poderá ter resultados gratificantes para todos se se conseguir envolver a população, nomeadamente os jovens, ajudá-los na criação dos seus projectos de vida e consequentemente, na criação de uma nova dinâmica psicossocial e económica.
       ● Apesar de tudo não se detectam em Barrancos problemas sociais significativos. Existe nesta comunidade, pelas características rurais que conserva ainda hoje, redes de solidariedade que a defendem dos graves problemas sociais que assolam as sociedades urbanas.

       ● Para a fixação da população, a principal prioridade, deverá ser a aposta na fixação de empresas e criação de empregos, melhoria substancial no tecido social, nomeadamente no ensino, na saúde, na habitação, na velhice, etc.
       ● Na educação, para além da unificação do diferentes graus de ensino no mesmo edifício, a aposta será o alargamento da escolaridade até ao 12º ano, intenção prevista na nova Lei Bases de Educação em fase de aprovação no Parlamento.
       ● Uma outra prioridade detectada será a maior abertura da escola à população, que poderá passar por aquela promover, organizar e apoiar actividades culturais diversas, envolvendo a comunidade.
       ● Acreditamos que o estudo do “Barranquenho”, é um projecto que deve ser revitalizado e desenvolvido entre a CMB e a EBI, com o apoio e empenho de toda a comunidade, é uma possibilidade a ponderar pois levará à continuidade do falar barranquenho, dialecto que corre perigo de extinção.
       ● Na saúde, área muito sensível e necessitada, vemos com grande apreensão várias lacunas. A construção do novo Centro de Saúde, que deverá ser uma realidade em 2007 – a construir no largo do Mercado - não será condição sine quanom para satisfação desta problemática, sem que simultaneamente sejam colocados e preenchidos os quadros médicos desta unidade de saúde – três médicos de clínica geral e um de saúde pública. Basta acrescentar que hoje há apenas um médico em Barrancos. Aos fins-de-semana os cuidados de saúde são assegurados por um médico contratado pela CMB. Apesar de tudo, muita é a população que recorre ao Centro de Saúde de Encinasola, onde há médicos 24 horas por dia.
       ● Na habitação é urgente a disponibilidade de terrenos para construção, direccionados, preferencialmente, aos jovens casais, pois, também assim se poderá contribuir para a fixação da população. Uma outra intervenção importante tem a ver com a recuperação dos muitos imóveis degradados e em estado de abandono existentes na Vila, a qual poderá ser possível na sequência de alteração legislativa.
       ● Na velhice a prioridade será a construção de um Lar de terceira idade, em edifício adequado para as várias valências, pois o actual não tem condições mínimas para fazer face à procura que se verifica e que se comprova com o elevado número de pessoas em lista de espera.
       ● Aliada ao envelhecimento da população, à fraca densidade populacional e aos elevados índices de desemprego, o município vê-se confrontado com uma rede viária degradada e pouco atractiva para quem quer, ou precisa, de se deslocar. Quer a estrada nº 258 (St. Aleixo) construída há mais de 80 anos quer a estrada 386 (Amareleja), construída há cerca de 60 anos, mantêm o mesmo traçado inicial, com algumas intervenções mínimas de conservação. É urgente, pois, a construção de novos acessos ou pelo menos a sua renovação e correcção dos traçados.
       Com a resolução, em tempo oportuno, das prioridades enumeradas, a par de outras não tão urgentes mas necessárias, que se forem realizando, Barrancos tem futuro e poderá ser um espaço onde a qualidade de vida dos seus habitantes seja uma realidade e poderá contribuir para o auto estima deste povo.
       Estou convicto, até pela assistência aqui presente, que este colóquio (encontro) despertou a curiosidade da população local:
       - Curiosidade para conhecer os diversos titulares do cargo de presidente da CMB, desde meados da década de 50 do Séc. XX até esta data;
       - Curiosidade para conhecer as experiências pessoais e profissionais destes intervenientes, enquanto titular do cargo;
       - Curiosidade, em suma, por conhecer a história de Barrancos através das personalidades ou lideres locais.
       Queremos também que este colóquio seja o primeiro de muitos onde se reflicta sobre as questões de desenvolvimento local;
       Queremos também que este colóquio desperte a curiosidade da comunidade barranquenha para estas questões que são importante para o seu bem-estar e qualidade de vida, e contribua para o envolvimento de toda a comunidade.
(…)
       Queremos também com este colóquio disponibilizar-nos para em conjunto com todas as entidades locais, incluindo a CMB e a JFB, buscar soluções e modelos alternativos de desenvolvimento que contribuam para a fixação da população e atenuem a desertificação humana de Barrancos.
       Por último e vendo que há vários autarcas entre os assistentes, alguns ainda em funções, permito-me daqui, em nome da ABpD prestar homenagem a todos os autarcas de Barrancos, sem esquecer aqueles que infelizmente nos deixaram, e reconhecer que, muitas vezes com prejuízo das suas vidas particular e familiar, serviram esta terra e as suas gentes.
Muito obrigado.
Ass) Jacinto Domingos Mendes Saramago
Presidente da Direcção
___________
Seguindo a cronologia dos períodos históricos, iniciaram-se as intervenções dos antigos presidentes e autarcas presentes, começando pelo Sr. José Augusto Garcia Fialho, o mais antigo presidente da CMB (falecido em 08/12/2006), terminando no titular do cargo naquela data, o Sr. Nelson Berjano.
Para o colóquio foram convidados todas as pessoas ainda vivas que, em diferentes épocas, exerceram o cargo de presidente da câmara municipal de Barrancos:
•José Augusto Garcia Fialho, presidente da CMB de 1955 até Agosto de 1965;
•Mário Francisco Fernandes Escoval, presidente CMB de 1965 (não compareceu por motivo de doença);
•José Augusto Lopes Fialho, presidente CMB de 1972 a 9 de Julho de 1974;
•José Domingos Gomes Escoval, presidente da Comissão Administrativa – de 09/07/1974 a 31/12/1976 (não compareceu tendo estado presente o Sr. António Charrama Lopes, vogal da mesma Comissão Administrativa);
•Carlos Caçador Durão, presidente CMB, Mandatos de 1977 a 1979 e de 1980 a 1982);
•Manuel Baleizão Chamorro, vereador-substituto do presidente da CMB - mandatos de 1983-1985 e de 1985 a 1989);
•Manuel Torrado Lavaredas, vereador-substituto do presidente – mandatos de 1990-1993,(não compareceu);
•António Pica Tereno, presidente CMB - Mandatos de 1994 a 1997 e de 1998 a 2001 (não compareceu);
•Nelson José Costa Berjano, presidente CMB - Mandato de 2002 a 2005).

domingo, 30 de dezembro de 2007

A tradição ainda é o que era!?

Não!... Não!... Não!...
Não me estou a referir às corridas com touros de morte em Barrancos, por que estas já fazem parte do ordenamento jurídico português.
Refiro-me à partilha de poder entre os dois grandes partidos nacionais: PS e PSD.
O PS fica com a administração dum banco privado (!), o BCP, que estou em e o PSD, para manter a tradição, fica com a CGD.
Bonito! Democrático! Ah.. ganda a capitalismo português…

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O lume da praça

Estava frio.
Eram cerca das 17h45 e alguém mais atrevido puxou do isqueiro e acendeu o lume. Escondida nos troncos já estavam preparadas as folhas de um jornal, para facilitar o acendimento.
Estava molhada, da chuva da véspera. A lenha foi ardendo...
Este ano houve lume pela segunda vez! Mão criminosa antecipou-se e na madrugada de sábado puxou fogo à lenha. Foi necessário a retirada imediata das viaturas estacionadas na praça e a intervenção dos bombeiros. Lamentável o comportamento energúmeno.