quarta-feira, 22 de abril de 2026

A Páscoa regista 20 mortos e 53 feridos. De quem é a culpa? Do condutor? Do vendedor de álcool? O Estado, não!!!!

Esta Páscoa foi a mais mortífera da última década. Morreram 20 pessoas, segundo informa o jornal "Público"

Páscoa trágica nas estradas com 20 mortos e 53 feridos graves. "É tempo de uma reflexão séria", diz governo, citado pelo Diário de Notícias.

O governo quer agravar multas de trânsito a quem conduz em excesso de velocidade ou alcoolizado, diz o Expresso.

O Ministério da Administração Interna (MAI) endereça sentidas condolências às famílias enlutadas. Encaramos estes dados com profunda preocupação e consternação, diz  o ministro, num comunicado.

O MAI, citado pelo Público, acrescenta, que "não é possível continuarmos a ter comportamentos que são autenticamente assassinos na estrada".


Foto1: Público, de 11-04-2026

presidente da Associação Portuguesa de Cidadãos Auto-Mobilizados, afirma que "podemos atravessar o país e não ver uma patrulha da GNR". (suponho que seja ao longo das estradas que ele percorre!)


Foto2: Público, de 11-04-2026

Numa pesquisa aleatória na internet, podemos encontrar muitas notícias como estas, que culpabilizam quem "anda na estrada", mas será que a estrada não tem culpas? Ou melhor, o Estado, através do governo, não é culpado que haja estradas sem as mínimas condições de segurança rodoviária? 

O Estado, ou o governo em seu nome, não tem nenhuma entidade que regule, fiscalize ou monitorize o estado da rede viária nacional? Para que serve a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária? (Resposta: para cobrar multas - em linguagem jurídiquez, "cobrar coimas"!)

O governo português não é culpado pelo estado em que se encontra, pelo menos, a EN 386, que em Barrancos conhecemos pela "estrada da Amareleja"?

Felizmente, na estrada da Amareleja não há registo de mortes, pelo menos que o escrivão recorde nestes últimos 10 anos.  Talvez porque os seus utilizadores não tenham "comportamentos criminosos", sejam consciente do perigo que correm quando a utilizam, com velocidade limitada por lei a 90 Km/h, mas onde o pavimento não permite que se circule a mais de 50 Km/h, e neste limite é já uma aventura!  

Quanto à presença das autoridades, ao contrário do acima declarado (foto2), posso afirmar que a GNR "é vista e está presente na zona", e não estará mais por se sentir envergonhada de fiscalizar uma via rodoviária que deveria estar proibida ao trânsito.

As famosas campanhas de sensibilização rodoviária não devem ser desvalorizadas, mas deviam redirecionar o "foco" do objeto. Em vez de "focar-se" no condutor, que surge sempre como potencial criminoso, deviam mostrar a "arma do crime" - o estado de degradação da maioria das estradas nacionais, entre elas a estrada da Amareleja (EN 386) e a estrada de Santo Aleixo (EN 258), por onde tem de passar quem entra ou sai de Portugal, a partir de Barrancos. Desta forma talvez identifiquemos o verdadeiro criminoso. O Estado Português, ou melhor, o seu braço executivo, o Governo da República.

pequena amostra do coval da estrada da Amareleja
Fotos: Arquivo eB, 2026

Sem comentários: