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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O que sabemos sobre a recolha de lixo porta-a-porta “sistema payt” - (parte 2)

Na sequência da sessão de esclarecimentos do passado dia 30 de outubro, que decorreu no cineteatro de Barrancos, da informação prestada pelos “monitores” que andaram a fazer a distribuição dos contentores pela população (ver fotos abaixo), bem das “FAQ” aqui divulgadas, vamos lá tentar “saber o que já sabemos” sobre a recolha do lixo porta-a-porta “payt”, que será implementado brevemente:
1 – Sabe qual a entidade ou empresa responsável pela recolha do lixo em Barrancos?
Resposta (R): A empresa responsável pela implementação do sistema, que pretende fazer de Barrancos um projeto piloto, por ser a única localidade do município, é a Resialentejo, com sede em Beja, com o apoio local do Município e da Freguesia. 
De acordo com o art. 5º do regulamento atual, que deverá ser revisto para este efeito: 
"- O Município de Barrancos é a entidade titular que, nos termos da lei, tem por atribuição assegurar a provisão do serviço de gestão de resíduos urbanos e limpeza urbana no respetivo território. 
- Em toda a área do concelho de Barrancos, o Município de Barrancos é a Entidade Gestora responsável pela recolha e encaminhamento para destino final adequado dos resíduos urbanos indiferenciado
- Em toda a área do Município de Barrancos, a Resialentejo é a Entidade Gestora responsável pela recolha seletiva, triagem, valorização e eliminação dos resíduos urbanos recolhidos seletivamente."
 2 Sabe como vai funcionar o sistema de recolha de lixo “payt”?
R: Ainda não. Nesta data, "os cidadãos pagam uma tarifa de resíduos, calculada em função do consumo de água". Com o sistema payt (novo), "pretende-se criar um sistema mais justo". Seguindo a explicação do folheto distribuído, "os cidadãos irão pagar os sacos destinados aos resíduos indiferenciados (lixo), sendo que o valor do saco já incluí o valor do serviço de gestão de resíduos. Os sacos destinados aos resíduos recicláveis (vidro, papel/cartão e plástico/metal) são gratuitos, por isso quanto mais separar, menos irá pagar".! 
3 - Sabe como "pagar menos vs reciclar mais" para um consumidor doméstico que produza cerca de 95% ou mais de lixo indiferenciado? Onde está aqui ganho?
R: Se hoje já recicla, e no payt continua a usar os sacos de reciclagem, sem misturar os lixos, o ganho estará em "gastar menos sacos" pretos (os únicos que são pagos). Mas, mesmo assim, há dúvidas.
4 - Sabe se temos a obrigatoriedade de utilizar o sistema payt?
R: A participação no sistema payt devia ser recomendada, mas no caso será de utilização obrigatória, por abranger 100% do território urbano da Vila de Barrancos.
5 Sabe se Barrancos será o único município que vai ter este novo sistema de recolha de lixo?
R: Não, este sistema de recolha irá abranger outros municípios sob a gestão da Resialentejo. Contudo, Barrancos vai servir neste caso como "cobaia" (experiência piloto), sendo o único que, pelas suas caraterísticas (população concentrada numa única localidade), vai ficar dependente a 100% da recolha porta-a-porta (payt), sem possibilidade de uso de contentores, que serão retirados. Já outras localidades, como Moura, Ourique ou Mértola (p.ex), só implementam o payt nas chamadas "zonas históricas", permitindo a manutenção e o uso dos contentores nas outras zonas.
6 - Sabe como serão identificados os produtores de resíduos?
R: Em princípio, serão identificados pela listagem dos consumidores (clientes) da água.
7 - Sabe se a cada casa/habitação/fração, corresponde um "produtor", sabendo que há moradias (casas), que possuem dois contadores domésticos de água (pela porta principal e pelo quintal)?
R: Ainda não se sabe como se vai proceder nestes casos, onde, atualmente, há dois pagamentos de tarifas (a fixa e a variável). Aguardamos que o novo regulamento preveja estas situações.
8 - Idem, com dois contadores domésticos, mas em locais distantes um deles com consumo habitual (casa da família) e o outro com consumo ocasional - por. ex. garagem ou monte na periferia da vila (que há alguns!)
R: Não há ainda nenhuma resposta para estes casos. O (novo) regulamento deverá prever e salvaguardar estas situações, sendo que será muito difícil abranger os casos atípicos.
9 – Sabe onde pode adquirir os sacos do lixo?
R: Apesar de não haver ainda qualquer decisão por parte das entidades locais, a Resialentejo informa através do folheto, que os sacos de lixo serão "adquiridos na CMB e no posto de turismo de Barrancos" (?!)
10 – Sabe quanto custa cada unidade de saco de lixo?
R: Não há ainda nenhuma decisão sobre o assunto. Contudo, segundo foi divulgado na sessão de esclarecimento de 30 de outubro, o saco de lixo para o lixo indiferenciado “terá um valor mínimo de 30 cêntimos”, ao qual deve acrescer o IVA! Tenhamos presente, seguindo o princípio do poluidor-pagador,  que a aquisição do saco (tarifa) tem subjacente a prestação de um serviço, ou seja, a recolha do lixo porta-a-porta!
11 - Sabe se o saco de lixo é pago no momento da aquisição (levantamento)?
R: Há duas alternativas, não se sabendo ainda a opção da entidade gestora local: a) o saco será pago no momento do  levantamento, ou b) os sacos serão debitados juntamente com a fatura da água do mês seguinte. Esta última opção parece-nos a mais adequada, sendo que implica a construção de instrumentos e mecanismos de controlo por consumidor/cliente, que deverá ser monitorizado mensalmente para saber o consumo e/ou a produção de resíduos  por habitação.
12 - Sabe como e de que forma o sistema é aplicado nas chamadas "segunda habitação" ou "casas de férias", que só têm ocupação sazonal ou de fim-de-semana?
R: O sistema é generalizado e de aplicação obrigatória para todos os habitantes em Barrancos, permanentes ou temporários, aguardando-se que o regulamento esclareça como se deve proceder se não tiver "saco de modelo oficial" e/ou "onde depositar o saco", caso deixem a casa num dia sem recolha desse resíduo. 
13 - Sabe de haverá controlo/monitorização da produção de lixo por habitação? (p.ex: se o consumidor X, pertencente a uma família com residência permanente, logo com consumo de água, adquiriu Y sacos de lixo no mês Z, mas não coloca  sacos na porta em nenhum dia desse mês ou seguinte, o que sucede?) 
R: Não se sabe. Não há nenhuma informação. E no caso desse consumidor, ou fica com o lixo em casa,  ou "empresta-o" ao vizinho, ou, pior ainda, deita-o em lixeira ilegal!
14 - Sabe como se vai proceder para os consumidores não domésticos (p. ex. cafés, bares, restaurantes e lojas)? Compram sacos? Continuam com os contentores coletivos? Passam a ter contentores especiais?
R:  Não há nenhuma informação. Se há a intenção de retirar os contentores coletivos, terão de passar a usar sacos identicos ao dos consumidores domésticos!
15 - Sabe como se vai proceder para os "grandes produtores de resíduos" (p. ex:  industrias do parque empresarial; a Residência de Idosos; a Creche; as escolas, etc...)?
R: idem como resposta anterior. Por enquanto não se sabe. Talvez nem a Resialentejo saiba  como proceder...
 16 – Sabe a que horas pode colocar o saco do lixo na porta da rua?
R: Os sacos deverão ser colocados entre as 6 e as 8 horas. Se não for divulgado o horário/rua ou zona, corremos o risco de “ficar com o lixo na porta”, sem ser recolhido!
17 - Sabe a que horas será recolhido o lixo que colocou na porta, entre as 6 e as 8 horas?
R: Ainda não se conhece o circuito da recolha, nem o respetivo horário, que deve ocorrer a partir das 8 horas! É expectável que seja disponibilizado um mapa com horários/por zona ou rua, com a indicação previsível de "passagem da viatura e recolha do lixo". 
18 – Sabe qual o dia da semana para recolha do lixo “orgânico/indiferenciado” ?
R: Segundo a informação desta data, os resíduos serão recolhidos à segunda, quarta e sexta-feira. Ainda não se conhece o horário da recolha (por zona/rua/bairro, etc).
19 - Sabe se vai haver recolha do lixo orgânico/indiferenciado no dia marcado, se for feriado? E se não houver recolha nesse dia, passa automaticamente para o dia seguinte?
R: Espera-se que esta situação seja esclarecida no regulamento.
 20 – Sabe qual o dia de recolha dos resíduos (lixo) recicláveis?
R: Segundo a informação conhecida, a recolha decorre nas seguintes datas: a) O plástico/metal (saco amarelo), todas as terças-feiras, e no primeiro e terceiro sábado de cada mês; b) O vidro (saco verde), ao segundo e quarto sábado de cada mês; e c) O papel e o cartão (saco azul), à quinta feira.
21 - Sabe que há resíduos/materiais que não são recicláveis?
R: Segundo o prospeto da Resialentejo, existem alguns materiais que não são recicláveis:, tais como "guardanapos de papel, lenços de papel, pratos e talheres descartáveis, papel autocolante, sacos de cimento, papel plastificado, toalhetes, fraldas, plástico não embalagem, garrafões de combustível, vidraças, espelhos, chávenas, jarras, cristal e copos", que deverão constar do saco preto (resíduo indiferenciado).
22 - Sabe em que saco devemos colocar os tecidos (por. ex: roupa velha, rasgada e/ou ou imprópria para uso) e outros trapos?
R: Não, aguardemos a indicação no regulamento.
23 – Sabe o que acontece ao saco de lixo que não seja de “modelo oficial”?
R:  Não, mas em princípio não será recolhido. 
24 - Sabe que não pode deitar "lixo"orgânico no saco azul, nem no amarelo, e vice-versa? E se houver, propositadamente ou por descuido, o que sucede?
R: Admitindo que o payt tem como objetivo principal a separação/reciclagem, não poderá haver misturas de resíduos.  Se houver mistura (e for detetada) pelos operadores do serviço de recolha, os sacos não serão recolhidos, podendo haver penalização (!?) para o produtor. Aguardemos os esclarecimentos no regulamento.
25 - Sabe que, nesta data, o pagamento do serviço de recolha do lixo aparece na fatura da água?
R: Nesta data, este serviço está incluído na factura da água.
26 - Sabe quanto paga (nesta data) pelo serviço de recolha do lixo (consumidor doméstico)?
R: Há duas tarifas: a) a tarifa fixa, no valor de € 0,90, que é paga sempre, mesmo que não tenha consumo de água ou não produza lixo; e b) a tarifa variável, no valor de € 0,4635/m3 de água consumida.
Simulação de custos do serviço de recolha de RSU (doméstico)
27 - Sabe quando entra em vigor este novo sistema de recolha do lixo?
R: Apesar de não se conhecer ainda qualquer decisão oficial ou regulamento sobre o assunto, o “sistema de recolha de lixo entra em vigor a 1 de janeiro de 2020”, sendo adotada duas fase: a) regime transitório, entre janeiro e março; e b) definitivo, a partir de 1 de abril de 2020;
28 - Sabe se os atuais contentores são recolhidos ou continuam nos mesmos locais?
R: Em princípio, ao optar pela solução exclusiva de recolha porta-a-porta, todos os contentores existentes em diferentes zonas serão recolhidos, sendo esta a única disposição sobre payt prevista no atual regulamento (nº 3 do art. 21º).
29 - Sabe como se vai proceder para o caso dos "grandes produtores", tais como lojas, empresas do parque empresarial, lar, creche, EBI, etc,? Vão manter os contentores?
R: Não há nenhuma informação sobre estes casos.
30 - Sabe como irão proceder os restaurantes e similares com o lixo produzido na sexta-feira e no sábado? 
R: Em princípio terão de ter locais para armazenamento, salvo porque a recolha dos orgânicos/indiferenciado só está previsto para os dias úteis.
31 - Sabe se continua a haver o circuito semanal de recolha de "monstros" ou "monos"?
R: A recolha de resíduos volumosos, que está prevista no atual regulamento, deverá (?!) ser incluída no novo regulamento payt, com a especificação inerente ao sistema praticado.
32 - Sabe quem fiscaliza este sistema de recolha de lixo?
R: Em principio, será o Município (como e de que forma não se sabe), com o apoio das autoridades policiais. Estas e outras questões serão (esperamos) esclarecidas pelo regulamento municipal sobre a matéria, que ainda não é conhecido, tal como o regulamento tarifário.
33 - Com a aplicação do sistema payt será esperado um aumento de deposição ilegal?
R: Sejamos optimista, e esperamos que não! Mas, provavelmente sim, e até o (re)aparecimento das estrumeiras e lixeiras que há anos foram extintas. Contudo, serão previstos em termos a regulamentar, mecanismos de fiscalização, sendo que os casos de deposição ilegal de resíduos serão alvo de penalização.
34 - Sabe se existe regulamentação municipal sobre penalização no domínio da higiene e salubridades pública e, ainda sobre remoção de lixo?
R: Para além do (ainda em vigor) regulamento municipal de gestão dos resíduos urbanos de Barrancos, existe o Código de Posturas Municipais de Barrancoss (cf. cap. V e VI), que se presume se mantenha plenamente válido, com disposições gerais e especiais sobre deposição de lixos nas vias públicas, a existência de lixeiras e de estrumeiras, entre outras normas.
35 - Sabe se foi equacionada a possibilidade de suspensão da recolha payt durante os tradicionais Festa de Barrancos - em toda a Vila ou nalgumas zonas, por ex,. na praça e arredores?
R: Não há qualquer informação.
36 - Já há ou se conhece a regulamentação municipal sobre esta matéria?
R: Não se conhece publicamente, e também não há qualquer informação sobre a mesma, nem sequer que tenha sido "iniciado o procedimento", obrigatório para alteração ou criação de normas regulamentares, salvo este, ainda pendente, que depois de lido torna ainda mais confuso todo este processo.
37 É, ainda, possível reverter esta decisão de "entrada em vigor do payt" e continuar com o sistema de recolha atual?
R: Não sabemos. Provavelmente não. Contudo, penso que ainda estamos a tempo de "parar para pensar", e adiar a entrada em funcionamento deste sistema, que poderá ser justo, mas é muito complexo. 
Com uma população maioritariamente idosa, corremos o risco de 50% "entrar em depressão, ... por causa do lixo"! E não haverá médico, nem "terapeutas ocupacionais", que tenham capacidade de resposta.
fatura-recibo - ex. para 5m3 de água
trio de contentores individuais (em fase de distribuição pela população)
contentor individual às porta...
contentor individual à porta, antes da recolha...
(Fotos: eB, 03-12-2019)
sacos de lixo "normais"
(Foto: eB, 31-10-2019)

Monitores vs distribuição de contentores à população

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O que sabemos sobre a recolha de lixo porta-a-porta “sistema payt” - (parte 3)

Sete dias depois do arranque oficial da recolha do lixo em payt100%, o eB divulga hoje o guia técnico de implementação de sistemas payt, produzido pela entidade reguladora do setor, a ERSAR.
O Guia Técnico tem como objetivo a divulgação e disseminação de informação sobre estes sistemas, em complemento ao estudo “Implementação do princípio do poluidor-pagador no setor dos resíduos”, contribuindo assim para o aumento do conhecimento nesta área e apoio à tomada de decisão.
Entre muita informação sobre o assunto, o guia apresenta no final o Modelo de Plano de Implementação de um Sistema PAYT, que no caso de Barrancos não é conhecido.
Fig 1) capa do guia de implementação payt
Fig 2) calendário de implementação de um sistema payt

Fig 3) Custo médio, hab/ano, do sistema payt em Itália, em função da solução de recolha adotado, 
para localidades com população superior a 5 mil habitantes. 
.
Legenda - Sistemas Payt, para compreender a fig3:
A) Soluções assentes em equipamentos/instrumentação para utilização em sistemas de recolha porta-a-porta
1. Etiquetas com códigos de barra
2. Contentores com chips RFID
3. Sacos descartáveis com identificadores UHF (ultra-high frequency)
4. Sistema de identificação com pesagem
.
B) Soluções assentes em sacos pagos para utilização em sistemas de recolha porta-aporta
1. Sacos pré-pagos
2. Sacos pagos através de fatura (caso de Barrancos - (B2)
C) Solução assente em contentores coletivos na via pública com sistema de identificação do utilizador
D) Soluções que não se enquadram em nenhum dos tipos anteriores A, B, C

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Barrancos com projeto piloto de recolha de lixo "porta-a-porta" (conceito payt)

ResiAlentejo, em parceria com os Municípios, no início de 2020 vai arrancar com seis experiências piloto de recolha porta a porta de resíduos associado ao conceito PAYT, abrangendo os municípios de Barrancos, Beja, Mértola, Moura, Ourique e Serpa.
Segundo a empresa, "este projeto pretende criar um sistema socialmente mais justo, em que a faturação associada à produção de resíduos em cada lar deixa de estar associado ao consumo de água, e passa a estar associada à produção efetiva de resíduos indiferenciados."
Nos sistemas de recolha atuais todos os utilizadores pagam o mesmo, independentemente se efetuam a separação dos materiais recicláveis e da quantidade de resíduos que produzem. A base dos sistemas PAYT é que o utilizador paga o que produzir e, desta forma, quanto menos produzir, menos paga. Para isso deve adquirir os sacos de plástico em local a indicar pela entidade gestora.
No caso dos sacos com tara perdida, os utilizadores adquirem previamente os sacos às autarquias, que já incorporam o valor da tarifa por saco adquirido. É um método muito aplicado pela Europa porque é de fácil implementação, mas não me parece que o venha ser na região, Barrancos incluído. A alteração do sistema e o preço dos sacos ainda não divulgado, poderão condicionar o modelo e levar à proliferação de novas lixeiras, um pouco por todo o território.
Brevemente será lançado o sitio da internet deste projeto, onde poderão ser obtidas mais informações sobre o mesmo. Contudo, será também necessário uma grande campanha de sensibilização e esclarecimento junto da população local, para evitar que a medida, socialmente justa, seja um fracasso.
Exemplo de um sistema PAYT através do saco perdido
 (The Island free press, 2009).

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A recolha do lixo em Barrancos - um pouco de história do sistema local porta-a-porta

De acordo com a Resialentejo, a vila de Barrancos fica com 100% do território abrangido pelo sistema payt de recolha de lixo, a partir de 2 de janeiro! Entre outras novidades, que iremos conhecer durante os próximos dias, ficamos sem contentores coletivos. Nas restantes localidades onde o sistema também será implementado, Ourique, Serpa, Mértola ou Moura, p.ex, a recolha payt abrange pequenas áreas (as chamadas zonas históricas).
A dois dias do começo de um "novo" modelo, o Barrancos 100% payt, talvez seja de interesse recordar um pouco da história do "sistema de recolha do lixo porta-a-porta" em Barrancos:
A vila de Barrancos tem um serviço de recolha de lixo porta-a-porta desde 1974/75. Este serviço, ou sistema, como lhe queiramos chamar, foi criado no final do "mandato" da Comissão Administrativa  da Câmara Municipal (1974/1976), presidida pelo Sr. José Domingos Escoval, tendo sido depois melhorado pela primeira CMB eleita, presidida pelo Sr. Carlos Durão (1977/1982) - ver aqui e aqui. 
Naqueles primeiros anos (1975/1981), a recolha diária do lixo era feita num dumperprimeiro, e num trator anos depois, conduzidos pelo saudoso Tio Agostinho (motorista). O primeiro "carro do lixo", adaptado, só apareceria em meados da década de 1980. O lixo, a "granel", depositado em latas (de tinta) ou outros recipientes, porque não havia ou não se usavam sacos de plásticos, era "recolhido" pelo Manuel Antelo (Nekita), o primeiro cantoneiro de limpeza da CMB. A esta equipa, que esteve junta cerca de três décadas, juntavam-se ocasionalmente, um ou outro elemento, entre os quais os Xicos (o Ramos e o Basílio, o primeiro recentemente desaparecido).
As lixeiras, que dantes existiam nos chamados "arrabaldes" da Vila - recordo a zona do Pinhão cheia de lixo e de estrumeiras - foram desaparecendo a pouco e pouco. Foi um processo que demorou alguns anos, mas foi conseguido e, em finais dos anos 80, princípios da década de 90 (séc. XX), as lixeiras tinham desaparecido praticamente todas.
O lixo recolhido, era diariamente transportado e depositado na antiga mina de Minancos, encerrada e selada aquando da abertura da Estação de Transferência de Resíduos (ETA da Eira de Carrasco), em 2003.
Os contentores coletivos, que hoje estão espalhados em vários locais da vila, mas devia haver em mais, terão surgido em meados da década de 1990. Primeiro, na zona do bairro, e depois noutros locais. Os contentores para a reciclagem (papel, vidro e plásticos), são mais recentes - primeira década deste século.
Por fim, salientar que o serviço de recolha de lixo de Barrancos é assegurado pela Junta de Freguesia, por delegação da CMB, desde 1995.
contentores na zona do bairro dos Espanhóis
contentor no Altossano
contentores da rua da Igreja
(Fotos: Arquivo eB, 2019)

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

O que sabemos sobre a recolha de lixo porta-a-porta “sistema payt” - (parte 1)

Resialentejo, em conjunto com os Municípios de Barrancos, Beja, Mértola, Moura, Ourique e Serpa, está a implementar um projeto piloto de recolha porta-a-porta PAYT (Pay-As-You-Throw), ou seja, em que os cidadãos pagam apenas os resíduos efetivamente produzidos. Este sistema pretende beneficiar os cidadãos que separam corretamente os resíduos.
No passado dia 30 de outubro, quinta-feira, decorreu no cineteatro de Barrancos, uma sessão de apresentação do projeto de “Recolha de resíduos Porta-a-Porta – pague menos, recicle mais”. Nos dias seguintes, foram distribuídos os contentores individuais que serão utilizados neste sistema.
Para perceber melhor o projeto, vamos tentar “saber” um pouco mais sobre a recolha “porta-a-porta” (payt), com base na informação disponibilizada no portal da Resialentejo
Eis, aqui, as questões e as respetivas respostas:
(...)
"Quais são as vantagens de estar abrangido pela recolha porta-a-porta?
Resposta (R): É mais cómodo, uma vez que não tem que se deslocar até ao contentor. É mais justo, visto que atualmente paga os resíduos em função do consumo de água, assim quem tiver uma atitude ambientalmente responsável (reduzir, reutilizar e reciclar) pode conseguir pagar menos pelos seus resíduos. É mais fácil, porque basta colocar os seus resíduos à porta nos dias e horários indicados que a Câmara Municipal recolhe. É mais sustentável e irá ajudar bastante no cumprimento das metas de reciclagem estabelecidas para a sua região.

O que acontece se eu misturar resíduos urbanos indiferenciados com os resíduos recicláveis (embalagens ou outros)?
R: Vai gastar dinheiro desnecessariamente, para além de não contribuir para um ambiente melhor. A gestão dos resíduos urbanos indiferenciado tem custos para quem os produz, enquanto que os resíduos recicláveis são recolhidos gratuitamente. No dia da recolha de recicláveis, caso seja detetado que o saco contém resíduos indiferenciado, este não será recolhido e será colocado um aviso, sob pena de aplicação de coimas estabelecidas no regulamento do serviço municipal.
Nota1 do autor: Nesta data, Barrancos não tem ou não divulgou o regulamento sobre este domínio.

Posso usar outros sacos que não os disponibilizados pelos Municípios?
R: Não. Apenas se pode utilizar os sacos disponibilizados pelo município.

Há multas para quem não separar corretamente?
R: Nesta fase não, mas iremos colocar avisos nas habitações cujos sacos para resíduos indiferenciados tenham recicláveis. Deverá consultar o regulamento de serviço do seu município: Barrancos, Beja, Mértola, Moura, Ourique e Serpa.
Nota2 do autor: ver nota1.

Quem me pode esclarecer as dúvidas que tenho em relação a como separar os resíduos?
R: Pode esclarecer as suas dúvidas com os monitores que visitam o seu lar ou poderá ainda colocar as dúvidas no site www.paguemenos.resialentejo.pt, no Facebook ou através do contacto telefónico 284 311 220.

Se houver alterações às datas da recolha, como serei informado?
R: Caso haja alterações, a RESIALENTEJO irá informar os munícipes através do site, do Facebook e através da APP (= aplicação telemóvel)
Nota3 do autor: sigam as sugestões e depois digam...

Se eu deixar os sacos para recolha fora dos horários previstos, o que acontece?
R: O saco não será recolhido, será colocado um autocolante a explicar a situação e poderá ser coimado. Consulte o regulamento de serviço do seu município.
Nota4 do autor: ver nota1.

Devo colocar na rua apenas o saco ou o saco dentro do balde?
R: Para evitar que o saco se rasgue e que os resíduos se espalhem deve colocar o saco e o balde

Nos dias em que não há recolha de indiferenciado o que devo fazer?
R: Poderá tentar adaptar a sua produção de resíduos aos dias da recolha, de forma a evitar maus cheiros em casa. Por exemplo cozinhar peixe no dia da recolha, de forma a ter esses resíduos o menos tempo possível em casa.

Os sacos para os resíduos recicláveis são gratuitos?
R: Sim.

Os sacos para os resíduos recicláveis podem-se obter onde?
R: Podem-se obter no mesmo local dos sacos dos resíduos indiferenciados.

O que devo fazer aos óleos alimentares usados resultantes das frituras?
R: Vamos manter os oleões nas zonas abrangidas, por isso deve colocar no oleão mais próximo do seu lar. Pode consultar o mapa dos oleões aqui.
Nota5 do autor: Não se conhece o mapa citado. Em Barrancos existem oleões na Biquinha, nas Fontainhas, junto à Segurança Social, e perto da EBI.

O que devo fazer às pilhas usadas?
R: Poderá colocar num saco e atar ao saco para as embalagens Plástico/metal ou dirigir-se ao pilhão mais próximo do seu lar.

O que não devo colocar no ecoponto amarelo?
R: Baldes, canetas, CD e DVD, rolhas de cortiça, talheres de plástico, plástico não-embalagem, eletrodomésticos, pilhas e baterias, tachos e panelas e ferramentas.

O que não devo colocar no ecoponto verde?
R: Pratos, chávenas, jarras, cristal, copos, janelas, vidraças, espelhos, lâmpadas, materiais de construção civil e embalagens de medicamentos.

O que não devo colocar no ecoponto azul?
R: Papel autocolante, sacos de cimento, papel plastificado, toalhetes e fraldas, papel de alumínio, lenços de papel sujos, embalagens de cartão com gordura (como caixas de pizza), papel de cozinha e guardanapos sujos e embalagens de produtos químicos."
(...)
Brevemente voltaremos ao assunto, para saber um pouco mais sobre o conceito de "produtor vs pagador". Para já, podemos estar enganados, mas teme-se que a Resialentejo esteja ou tenha criado um mostro que agora quer "empurrar" para as duas autarquias locais de Barrancos: a Freguesia e o Município, que o terão de alimentar, isto é, dar a cara e defendê-lo, sem ter participado ou contribuído para a sua conceção!
Contentores de RSU indiferenciado na zona do Bairro do Espanhóis
(Foto: eB, 31-10-2019)
contentor "porta-a-porta" recentemente distribuído
(Foto: eB, 01-11-2019)

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Campanha de promoção da recolha do Lixo "porta-a-porta" - sistema payt

Conforme o eB já tinha anunciado, Barrancos será visitado brevemente pelos "monitores da Resialentejo,... para explicar como pode poupar se separar corretamente os seus residíduos". Vamos conhecer, a curto prazo, o sistema payt.
Antes disso, não perca o evento de lançamento do projeto no Cineteatro de Barrancos, dia 30 de outubro, próxima quarta-feira, às 18h00.
Folheto distribuído na Vila de Barrancos
(Foto: eB, 22-10-2019)
calendário da recolha do lixo em Barrancos (a começar em data a anunciar)
(Os sacos serão adquiridos na CMB e no Posto de Turismo de Barrancos!)
(convite de lançamento do projecto em Barrancos)

quarta-feira, 11 de março de 2020

Quanto se paga em Barrancos pela recolha de lixo - (parte 4)

Na sequência das publicações com o mesmo título, aqui, aqui e aqui, divulgadas pelo eB, voltamos hoje ao tema para analisar a componente da receita com o (atual) modelo de recolha de resíduos, e o seu custo para a população local.
Com base na consulta aos Relatórios e Contas e/ou Orçamentos da CMB, disponíveis no site do Município de Barrancos, podemos verificar que a receita do serviço de recolha de resíduos, passou de 26 510 euros (em 2011) para cerca de 50 mil em 2018, sendo que a partir de 2016 entrou em vigor novo regulamento e, em consequência, um novo sistema tarifário. 
Admitindo que Barrancos tenha uma população constante de 1864 habitantes (censos 2011), ao longo destes 10 anos, o custo/médio com  a recolha do lixo passou de € 14,22/habitante/ano 2011,  para cerca de € 28,00/habitante/ano em 2020. 
Se estas contas tiverem por base o número de clientes, equivalente ao número de fogos (também dos Censos 2011), que não devem passar dos 1250, o custo médio/habitação passaria de  € 21,20/habitação em 2011 para € 41,60/habitação em 2020. No entanto,  segundo o estudo da ERSAR, divulgado pelo eB, no passado dia 8 de janeiro, o custo per capita/habitante/ano, para o sistema payt100%, varia entre os € 68,80 e os € 70,20.
Como não nos parece que o sistema payt, em fase de implementação (experiência), venha em "promoção", será expectável um ajustamento (aumento) da faturação do serviço de recolha de lixo a partir de abril de 2020, em toda a área de intervenção da ResiAlentejo. Em Barrancos, este "ajustamento" só poderá ocorrer depois da entrada em vigor do novo precário, ainda não conhecido, quando for fixado o preço/unidade do saco de lixo vendido pelo Município.
Receita do serviço de recolha de resíduos 2011-2020
Fonte: CMB, Relatório e Contas e Orçamentos CMB

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tarifário do serviço de recolha de resíduos - 2019
Fonte: Tarifário 2019/CMB (já atualizado para 2020)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Recolha de lixo urbano - Barrancos "entra" hoje no payt 100%?

Não esqueçam de confirmar no calendário-íman, que devem ter colocado no frigorífico: Hoje não há recolha de lixo indiferenciado! Hoje é quinta-feira, dia reservado ao papel e cartão (saco amarelo)!
Amanhã contem como correu..

Fonte: ResiAlentejo
sacos distribuídos pela CMB, no dia 30/12/2019
(o pacote era composto por: 6 sacos pretos; 1 azul e 2 amarelos)
(Fotos: eB, 01-01-2020)

sábado, 10 de abril de 2021

Oferta da semana da Resialentejo!

Ao contentor verde, que já tínhamos há um ano, juntamos agora o azul e o amarelo. São três monstros que não cabem em casa, e muitos recusaram. Outros aproveitam para guardar comida para o gado. No campo.

Dizem que serve para o "sistema payt". Será mesmo?

contentores para reciclagem do lixo
(Fotos: eB, 09-04-2021)